A subsecretaria de Políticas de Inclusão das Pessoas com Deficiência tem atuado de forma integrada para ampliar o acesso de pessoas com deficiência (PCDs) ao mercado de trabalho, com atenção especial às mulheres, que enfrentam ainda mais barreiras para conquistar oportunidades profissionais.
Segundo o subsecretário Martoni Sampaio, a pasta mantém parcerias com instituições como o Ministério Público do Trabalho e desenvolve ações conjuntas com áreas da assistência social e com a Secretaria das Mulheres. “O objetivo é fortalecer políticas públicas que empoderem essas mulheres nos territórios e ambientes de trabalho”, disse o subsecretário.
De acordo com Sampaio, a desigualdade de gênero é evidente quando se analisa a presença de PCDs no mercado formal. “Ao comparar homens e mulheres com deficiência, a cada dez homens empregados, há apenas uma mulher na mesma condição atuando no mercado de trabalho”, afirmou. A situação é ainda mais desafiadora em setores tradicionalmente ocupados por homens.
Para enfrentar esse cenário, a subsecretaria aposta em iniciativas que incentivam a qualificação e a autoconfiança dessas mulheres. “Muitas vezes, elas começam em funções menos valorizadas, mas, ao demonstrarem sua capacidade, passam a disputar e ocupar espaços mais desafiadores, conseguindo se manter nessas posições”, explicou o subsecretário.
Um exemplo dessa trajetória é o da consultora em diversidade, inclusão e inovação social, Leidiane Albino, profissional com deficiência que construiu carreira em uma grande empresa do setor industrial. Ela ingressou como trainee em um curso técnico de mecânica industrial, oferecido pela companhia, e passou a atuar na área operacional. Com o tempo, conquistou novas oportunidades e se tornou plantonista de navios, sendo a primeira mulher com deficiência visual a ocupar a função.
Leidiane relata que, ao longo da carreira, precisou provar constantemente sua competência, tanto por ser mulher quanto por ser PCD. “Existe sempre aquele olhar de dúvida, do tipo: ‘será que ela vai conseguir?’”, contou.
Atualmente, uma psicóloga do setor de recursos humanos atua diretamente na intermediação de vagas para pessoas com deficiência e mantém um banco de talentos com profissionais já capacitados em busca de emprego. Segundo ela, a maioria das contratações ainda ocorre na área administrativa, enquanto funções operacionais seguem sendo menos acessíveis.
