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O Fracasso da Gestão da OAB e a Realidade da Advocacia Capixaba

Fonte: Instagram

A advocacia no Espírito Santo vive um dos momentos mais turbulentos de sua história recente. O que deveria ser um período de reestruturação e foco na valorização da classe transformou-se em um cenário de intensa disputa política e fragilidade institucional. No centro da crise, o distanciamento entre a Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Espírito Santo (OAB-ES) e a Caixa de Assistência dos Advogados (CAAES) escancara o fracasso de um projeo que, em vez de priorizar a rotina do advogado capixaba, preferiu os palcos das desavenças internas.

As promessas de campanha que uniram a presidente da Seccional, Érica Neves, e a presidente da CAAES, Kelly Andrade, ruíram rapidamente. O choque precoce e a falta de alinhamento político e administrativo geraram um clima de constrangimento público na advocacia do estado, culminando em trocas de acusações, compartilhamento de reportagens controversas em redes sociais e desentendimentos públicos durante ações institucionais. Enquanto as dirigentes se isolam em suas respectivas trincheiras de poder, os profissionais inscritos na Ordem assistem, desamparados, ao enfraquecimento das estruturas de apoio.

“A advocacia real tem pressa. Prerrogativas violadas, mercado saturado, custas judiciais abusivas e morosidade do Judiciário são os verdadeiros problemas enfrentados no dia a dia. A disputa política institucional é um luxo que o advogado que atua no balcão do fórum não pode se dar”, desabafou um advogado que não quiser ter sua identidade revelada com receio de perseguição.

 

O Abandono das Prioridades da Classe

A má gestão compartilhada reflete-se diretamente no bolso e na atuação diária dos profissionais do Direito. A realidade enfrentada pela advocacia capixaba é dura, marcada por:

– Asfixia dos Serviços Essenciais: A falta de sintonia entre a OAB-ES e a CAAES coloca sob constante risco programas fundamentais de assistência, convênios médicos, auxílios à advocacia vulnerável e o transporte interfóruns.

– Aparato Político em Detrimento das Prerrogativas: O foco excessivo na manutenção de narrativas de bastidores retira e reduz o peso institucional da Ordem no momento de cobrar melhorias no atendimento do Poder Judiciário.

– Falta de Transparência e Crise Orçamentária: A instabilidade política interna afeta a governança, gerando desconfiança sobre a real saúde financeira, transparência dos gastos das presidências e o uso legal das anuidades pagas obrigatoriamente pela classe.

 

Oposição Articula Grupo Competitivo para Cessar o Conflito

Diante desse cenário de paralisia e decepção generalizada, a oposição na advocacia capixaba começou a se mobilizar com velocidade. Movimentos internos, conselheiros independentes e lideranças insatisfeitas com o rumo das duas entidades estão costurando a formação de uma frente ampla e altamente competitiva.

O objetivo do grupo que se desenha nos bastidores é claro: pôr fim definitivo ao cabo de guerra entre a OAB-ES e a CAAES. A proposta da oposição foca no resgate da dignidade da profissão, apresentando um projeto técnico e unificado de gestão que retire a Ordem das páginas de fofocas políticas e a devolva ao seu verdadeiro papel de liderança institucional e amparo prático aos advogados e advogadas do Espírito Santo.

“A OAB tem uma representatividade perante a sociedade capixaba e os advogados estão assustados com essa disputa entre as presidentes que prometeram fortalecer a classe. Outra questão é sobre os custos da diretoria, com relatos de gastos excessivos com passagens aéreas e eventos. Não vamos admitir que as práticas antigas voltem e manchem a categoria”, concluiu um dos líderes do grupo oposicionista.

Erica Neves e Kelly Andrade foram aliadas no último pleito da seccional capixaba. Juntas, elas derrotaram o grupo de José Carlos Rizk Filho que presidiu a OAB do Espírito Santo entre 2019 e 2024.

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