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Conheça Kleber Galvêas: o artista capixaba que transformou memórias em arte histórica

Seis décadas de dedicação à arte estão reunidas em um espaço onde cada pintura, desenho e objeto carrega uma história. No ateliê Cercado de Histórias, o artista capixaba Kleber Galvêas preserva obras e lembranças que ajudam a reconstruir uma trajetória marcada pela pintura, por viagens e pela convivência com importantes nomes das artes plásticas.

Entre as peças do acervo, estão trabalhos de artistas que influenciaram sua formação e registros de diferentes fases da carreira. Um dos espaços é dedicado especialmente a Homero Macena, considerado por Kleber um de seus mestres e uma figura importante em sua trajetória artística.

A relação com a arte começou ainda cedo e levou Kleber a diferentes caminhos. Em Portugal, onde morou durante dois anos, ele chegou a estudar medicina, mas decidiu mudar de área e ingressou em um curso de gravura. A experiência no país ampliou seu contato com a produção artística e com nomes que passaram a influenciar seu trabalho.

De volta ao Espírito Santo, Kleber participou de importantes momentos das artes plásticas no estado. Em 1966, esteve no primeiro Salão Nacional de Artes Plásticas do Espírito Santo. Ao longo da carreira, também desenvolveu trabalhos que contribuíram para financiar viagens e experiências fora do país.

Um desses trabalhos foi a produção de um souvenir para os participantes do 13º Congresso Brasileiro de Anestesiologia, realizado em Guarapari. O projeto rendeu recursos que permitiram ao artista passar dois anos viajando por museus da Europa Ocidental e pelo norte da África, ampliando ainda mais seu repertório.

Entre as peças preservadas no ateliê, uma chama atenção por uma história curiosa. Embora esteja assinada por Kleber, a pintura foi realizada por Homero Massena. A obra está relacionada a uma mudança na assinatura utilizada pelo artista, após uma sugestão feita pelo próprio Massena.

A relação entre os dois, no entanto, ultrapassava a pintura. Homero Macena foi amigo, professor e padrinho de Kleber. Essa proximidade também deixou marcas na casa onde o artista morou depois de se casar, transformando o espaço em um verdadeiro arquivo de memórias.

Em uma dessas ocasiões, Macena levou materiais de pintura para a casa de Kleber. Desenhou uma borboleta, pintou flores e começou a trabalhar em outra imagem. O trabalho, porém, ficou inacabado. Antes de concluir a pintura, Macena interrompeu a atividade e disse que voltaria para terminar. Não voltou, e o desenho de um passarinho permaneceu apenas no lápis.

Hoje, a obra inacabada é preservada como uma lembrança da relação entre mestre e discípulo e integra o conjunto de histórias que Kleber Galvêas mantém vivo no ateliê. São seis décadas de arte reunidas em pinturas, objetos e memórias que ajudam a contar não apenas a história do artista, mas também parte da trajetória das artes plásticas no Espírito Santo.

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