Renato faz parte de um grupo de aproximadamente 2,4 milhões de brasileiros diagnosticados com autismo que, ao longo da vida, enfrentam ou ainda enfrentarão barreiras no mercado de trabalho. O jovem relatou ter vivenciado uma situação de preconceito durante uma entrevista de emprego realizada pela internet.
“Eu já tive uma entrevista pela internet onde senti uma mudança no tom da entrevistadora. Houve um silêncio quando foi questionado se alguém tinha alguma deficiência ou se havia algum autista. Senti uma mudança de comportamento e percebi que não iria adiante naquela seleção”, afirmou Renato.
Para especialistas, episódios como o vivido por Renato ainda são comuns e revelam a necessidade de conscientização e mudança de postura no ambiente corporativo. O psicólogo especialista em carreiras Marcelo Vitoriano destacou que o preconceito precisa ser combatido em muitas empresas. “O que a gente precisa fazer é trazer muita informação para a sociedade, mostrando que as pessoas autistas podem, sim, trabalhar, desde que tenham a acessibilidade necessária”, enfatizou o especialista. “A questão de levar o conhecimento da realidade das pessoas para nossa sociedade e dizer do potencial que elas podem trabalhar é muito importante”, completa.
Um levantamento feito pelo IBGE mostra que mais de 14 milhões de brasileiros possuem algum tipo de deficiência. Esse número representa um percentual de 7,3% da população. O levantamento mostrou ainda que 57,6% da população que possui deficiência são mulheres, enquanto que 42,4% são homens.
A inclusão de pessoas com autismo no mercado de trabalho é um dos desafios atuais enfrentados por empresas e pela sociedade, que precisam promover ambientes mais acolhedores e acessíveis, combatendo estigmas e preconceitos.





