Fósseis de animais encontrados em uma caverna no município de Castelo, no Sul do Espírito Santo, passaram por análises nos Estados Unidos e foram confirmados como pertencentes à megafauna pré-histórica que habitou a região há milhares de anos. Entre os exemplares identificados estão um tigre-dente-de-sabre e uma preguiça-gigante.
Os fósseis, pertencentes a três diferentes espécies, foram descobertos na Gruta do Limoeiro em julho de 2024. A partir de datações por radiocarbono realizadas pelo laboratório Beta Analytic, foi possível determinar que uma das espécies viveu na região há aproximadamente 42 mil anos.
Os materiais analisados incluem:
- Um tigre-dente-de-sabre, que viveu na região de Castelo há cerca de 34.700 anos;
- Um toxodonte, animal que podia pesar até 2,3 toneladas e habitou o local há cerca de 42 mil anos;
- Uma preguiça-gigante, datada de aproximadamente 14 mil anos.
Esses animais fazem parte da megafauna, grupo de grandes mamíferos que viveu durante o período Pleistoceno, etapa do período Quaternário da era Cenozoica, entre cerca de 2,5 milhões e 12 mil anos atrás.
Segundo José Neves, gerente do Departamento de História Natural da Prefeitura de Castelo, as pesquisas foram iniciadas em 2023, com a participação de cientistas das universidades federais do Espírito Santo e da Bahia. A presença do tigre-dente-de-sabre no Espírito Santo é considerada uma descoberta inédita.
Mário Dantas, pesquisador da Universidade Federal da Bahia, destacou a importância do achado. Segundo ele, a Gruta do Limoeiro é a maior caverna do Espírito Santo e este é o primeiro registro de megafauna em uma caverna no estado. Ao todo, foram identificadas cinco espécies: três preguiças-gigantes de diferentes tamanhos — uma com 3,4 toneladas, outra com 900 quilos e uma com 240 quilos —, um toxodonte e o tigre-dente-de-sabre, considerado o mais impressionante.
Além dos fósseis de animais, a caverna também já revelou sepultamentos humanos com datações superiores a 4.500 anos antes de Cristo, o que reforça sua importância como o principal sítio arqueológico do Espírito Santo.
Dantas explicou ainda que os fósseis estavam visíveis na superfície da gruta, o que facilitou o trabalho dos pesquisadores. Ele observou que, apesar de a gruta já ter sido alvo de coletas anteriores, essa foi a primeira vez que os achados foram analisados com rigor científico.