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Campanha Nacional de Coleta de DNA busca identificar desaparecidos no ES

Material genético de familiares pode ajudar a solucionar casos antigos

Imagem: Divulgação/Sesp

O Espírito Santo está engajado na edição 2025 da Campanha Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Pessoas Desaparecidas. Lançada na terça-feira (5) pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), a iniciativa conta com a participação da Polícia Científica do Espírito Santo (PCIES) e da Polícia Civil (PCES), e tem como objetivo principal incentivar familiares de desaparecidos a contribuírem com material genético para alimentar os bancos de dados estaduais e o Banco Nacional de Perfis Genéticos.

A proposta da campanha é permitir, por meio do cruzamento de dados, a identificação de pessoas desaparecidas — tanto vivas, que estão em instituições sem identidade formal, quanto falecidas e sem identificação oficial. Com isso, familiares poderão ter respostas após anos de angústia e incertezas.

No Espírito Santo, a iniciativa já demonstrou resultados concretos. Dois moradores do Abrigo PSR, em Vitória, foram recentemente identificados graças ao Programa de Mobilização Nacional para Identificação de Pessoas Desaparecidas. Um homem de 58 anos, conhecido como Carlos Alberto, descobriu que seu nome verdadeiro é João Batista. Já uma mulher conhecida como Claudinha teve a identidade real confirmada como Maria. Ambos viviam há décadas sem documentos e sem contato com suas famílias.

Avanço da ciência no combate ao desaparecimento

Segundo o perito oficial geral da PCIES, Carlos Alberto Dal-Cin, a campanha representa um avanço importante da tecnologia no enfrentamento ao desaparecimento de pessoas no Brasil. A coleta de DNA possibilita comparações precisas entre pessoas sem identificação e os perfis genéticos de familiares cadastrados.

“Estamos incentivando instituições como hospitais e clínicas que lidam com pessoas não identificadas a colaborarem com a campanha. O objetivo é alimentar o banco de perfis genéticos com o máximo de dados possíveis e aumentar as chances de identificação”, afirmou Dal-Cin.

Uma das inovações da edição deste ano é a inserção de dados genéticos de pessoas vivas que estão internadas em unidades de saúde ou acolhimento, mas que não possuem documentos ou registros de identidade. Nestes casos, primeiro é feita a coleta de impressões digitais para tentativa de identificação papiloscópica. Caso não haja resultado, realiza-se a coleta de material biológico para criação de um perfil genético.

“O banco de perfis está em constante crescimento. Cada novo cadastro aumenta as chances de encontrar uma pessoa desaparecida. É a ciência sendo aplicada para dar respostas que, por muitos anos, pareciam impossíveis”, reforçou Dal-Cin.

Procedimento é simples e gratuito

No Espírito Santo, a coordenação do trabalho de coleta está sob responsabilidade do Laboratório de DNA Forense (LABDNA). Segundo a chefe do laboratório, perita criminal Bianca Bortolini Merlo, o procedimento é simples, indolor e gratuito.

“A coleta é feita com um swab bucal — uma espécie de cotonete — na parte interna da bochecha. Os dados genéticos obtidos são utilizados exclusivamente para comparação com perfis armazenados no banco nacional”, explicou.

Desde o início da campanha, o Espírito Santo já cadastrou 292 familiares de desaparecidos, 509 perfis de pessoas falecidas sem identificação e 8 pessoas vivas que permanecem sem identidade conhecida. Os dados são confrontados semanalmente com o banco nacional. Algumas identificações já ocorreram de forma interestadual, com famílias encontradas no Ceará, Distrito Federal e Bahia.

Bianca reforça que não é necessário estar no Espírito Santo para participar da campanha. “A coleta pode ser feita em qualquer estado, e as amostras serão incluídas no banco nacional. Damos prioridade aos parentes de primeiro grau, como pais e mães, mas irmãos e filhos também são bem-vindos”, destacou.

Além do swab bucal, é possível utilizar itens de uso pessoal do desaparecido para obter DNA, como escovas de dente, aparelhos de barbear, cordão umbilical e até dentes de leite.

Registro imediato é fundamental

O delegado Luiz Gustavo Ximenes, titular da Delegacia Especializada de Pessoas Desaparecidas (DEPD), alerta que familiares não devem esperar 24 horas para registrar o desaparecimento de alguém, desmentindo um mito ainda presente na sociedade.

“O ideal é procurar imediatamente uma delegacia, preferencialmente a especializada, que funciona no bairro Barro Vermelho, em Vitória. Quanto mais cedo o caso é comunicado, maiores são as chances de localização”, afirmou.

Ele reforça a importância de reunir o máximo de informações possíveis sobre o desaparecido no momento do registro. Esses dados serão analisados para abertura da Triagem Preliminar de Investigação (TPI), procedimento inicial que pode acelerar a abertura de inquérito.

A campanha continua em andamento. Qualquer cidadão com um familiar desaparecido pode procurar a Polícia Científica para participar da coleta de DNA, de forma gratuita e sigilosa. A expectativa é que, com o avanço da tecnologia e o envolvimento da sociedade, cada vez mais histórias possam ter um desfecho — e famílias possam finalmente reencontrar seus entes queridos ou, ao menos, obter respostas.

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