
Clínica do médico Renato Harckbart Carvalho foi interditada em Cachoeiro de Itapemirim, Sul do Espírito Santo. Foto: Reprodução
Cinco pessoas se tornaram rés em um processo que apura um suposto esquema de desvio milionário em uma clínica de cirurgia plástica localizada em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo. A denúncia do Ministério Público Estadual (MPES) foi aceita pela 3ª Vara Criminal do município no último dia 25 de julho.
Segundo o MPES, os crimes teriam sido cometidos dentro da clínica do cirurgião plástico Renato Harckbart Carvalho. A principal acusada é a ex-funcionária da unidade, Helena Alves Vasconcellos Moccelin Dussoni, apontada como líder do esquema, que teria contado com a participação direta de seus familiares.
Família denunciada por furto, associação criminosa e lavagem de dinheiro
Além de Helena, foram denunciados o marido dela, Maxuel Moccelin Dussoni, sua mãe Adriana R. Alves Vasconcellos, seu pai Marcos Daltio Vasconcelos e o irmão Gustavo Alves Vasconcelos. O grupo agora responde pelos crimes de furto qualificado, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
As investigações apontam que os desvios ocorreram durante o período em que Helena ocupava cargo de confiança na clínica, com acesso a dados financeiros, senhas e documentos. A partir dessas facilidades, ela e os demais envolvidos teriam articulado transferências de valores, adulterações de registros e outras movimentações ilícitas com o objetivo de ocultar a origem do dinheiro desviado.
A quantia total desviada não foi revelada, mas o MPES trata o caso como um esquema milionário, baseado nas movimentações suspeitas detectadas pela investigação.
Cirurgião também é investigado por procedimentos cirúrgicos
Paralelamente à denúncia criminal por desvio de recursos, o médico proprietário da clínica, Renato Harckbart Carvalho, é alvo de outra apuração conduzida pelo Ministério Público. Dessa vez, a investigação tem foco em supostas falhas graves em procedimentos cirúrgicos realizados na unidade.
Estão sendo apurados indícios de lesões corporais, sequestro e cárcere privado, com base em relatos de pacientes e em documentos já colhidos. O MPES requisitou a abertura de inquérito policial para aprofundar essas suspeitas, que, até o momento, tramitam sob sigilo judicial.
O cirurgião não é réu na denúncia relacionada ao desvio de dinheiro, mas seu nome aparece em outra frente de investigação. A defesa dele ainda não se manifestou oficialmente sobre as acusações.