⁠Uvas & Vinhos

Uma uva precoce

Tenho uma certa preferência pelos vinhos europeus, em especial os italianos. Esta preferência talvez tem a ver com minha origem, mas não fica por aí. O velho mundo, em relação aos vinhos, ainda é imbatível na produção da bebida dos deuses Baco e Dionísio. Muito embora no novo mundo há bons, ótimos e até excelentes vinhos.
Dito isto, vamos falar sobre os vinhos italianos produzidos a partir da uva Primitivo. Já degustei muitos vinhos dessa precoce uva, proveniente de Manduria, região da Puglia, ao sul da Itália, lá no calcanhar da bota, como é o formato do mapa do país, onde se produz os melhores rótulos dessa casta. Agora vamos esclarecer o nome da uva. É do nosso conhecimento que as uvas viníferas tintas amadurecem entre agosto e setembro, quando começam as vindimas (colheita) na maioria dos países produtores, mas a uva Primitivo, amadurece no mês de maio, portanto, precocemente, por isso o seu nome, Primitivo, em italiano significa, amadurece primeiro. Este amadurecimento precoce faz com que o açúcar residual da uva seja bastante elevado e consequentemente mais doce. É exatamente este elevado teor de açúcar, durante a fermentação alcoólica que resultará em vinhos com teor alcoólico mais elevado, porém estruturado, aromático, fácil de beber que agrada ao paladar, tanto do apreciador iniciante quanto do degustador mais exigente. Óbvio que há bons vinhos dessa uva no mercado mundial e brasileiro, mas o produtor que submeter seu vinho às duas fermentações (alcoólica e malolática), resultará num vinho Primitivo ainda melhor, um néctar dos deuses.

Os vinhos produzidos a partir dessa uva, acabaram por agradar o paladar dos brasileiros, porque são frutados, aromáticos, harmonizam-se perfeitamente com carnes vermelhas, queijos mais curados de coloração mais amarelados, pizzas e até mesmo com um bom churrasco, tudo que nós brasileiros gostamos, não é mesmo?

Talvez o leitor não saiba, mas a uva Primitivo é parente próxima de duas outras uvas, uma bastante conhecida, a Zinfandel, extremamente popular na Califórnia e a Tribidrag, muito comum na Croácia, que já tive a oportunidade de degustar.

Bem, caro leitor, há no mercado brasileiro bons vinhos da uva Primitivo com preço que cabe no bolso de qualquer apreciador, mas se você quiser investir um pouquinho mais, indicaremos o Papale Primitivo Di Manduria Linea Oro, com 14,5% de teor alcoólico por volume e Denominazione Di Origine Protetta. Esse vinho foi uma homenagem ao Papa Bento XIII (Pierfrancesco Orsini, 1649 – 1730).

O texto a seguir está impresso no rótulo do vinho.
“Foi tanto júbilo compreendido pela Cidadania pela exaltação ao trono papal de seu primeiro Mestre natural, hoje Sumo Pontífice, que durante dez dias contínuos aquele público o manifestou com extraordinária alegria, mostrando que a noite igualava o dia por a grande quantidade de luzes, e outros fogos de alegria acesos nas ruas públicas, e nos palácios, em muitos dos quais o retrato da Santa Santidade foi exibido, e fazendo ouvir um estrondo contínuo de fogos de artifício, e vários tipos de fogos de artifício. Tais manifestações de júbilo extremo corresponderam àquele Capítulo da Insigne, e a todas as outras igrejas e mosteiros, bem como de Frades, como de Freiras, entre as quais as de S. Chiara e se S. Teresa, ao som contínuo dos sinos de fogo de artifício, como a tornar público o agradecimento a Deus, com o canto solene do Te Deum, por ter escolhido um pastor tão santo e zeloso para governar o seu rebanho”.

Até a próxima coluna: mas se beber não dirija.

“A opinião deste colunista não reflete, necessariamente, a opinião da RedeTV! Espírito Santo.”

Publicitário; cursou Artes Plásticas na UFES; Enófilo, escreve sobre vinhos desde2010. Já escreveu sobre o tema em vários veículos de comunicação: revista SIM; jornais Em Pauta, O Ponto; Século Diário (jornal online); MovNews (jornal online). Assessor de Comunicação da PMV de 1994 a 2002; Assessor Técnico da Imprensa Oficial do ES de 2003 a 2019.

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