⁠Uvas & Vinhos

Uvas viníferas.

Na vitivinicultura existem mais de quatro mil tipos de uvas viníferas que são cultivadas para a vinificação na produção mundial de vinhos, que são diferentes das uvas de mesa. Mas, na coluna desta semana apresentaremos aos leitores algumas delas, as mais conhecidas do público apreciador ou não desta bebida milenar.

Vamos começar pela Carménère. Originária da região do Médoc, Bordeaux, França. Bastante encorpados os vinhos produzidos a partir desta uva, com taninos marcantes, sabor frutado e aroma discretamente apimentado.

Esta uva foi dada como extinta por causa da praga, Daktylosphaera vitifoliae ou Phylloxera vastatrix, mais conhecida por filoxera, que quase dizimou os vinhedos da Europa em meados do século XIX. Ela foi redescoberta no Chile na década de 1990 pelo ampelógrafo, Jean-Michel Boursiquot (profissional que estuda, identifica e classifica os tipos de uva), com a colaboração do enólogo chileno, Alvaro Espinoza. Hoje, o Chile é o maior produtor de vinhos desta casta.

Cabernet Sauvignon. Sem sombra de dúvidas a uva mais conhecida e utilizada na produção de vinhos em várias regiões do mundo pela facilidade de adaptação em diferentes terroirs. Também de origem francesa da região de Bordeaux, esta uva produz vinhos encorpados, tânicos e tem aromas herbáceos. Tem grande potencial para envelhecer em garrafa.

Pinot Noir. A mais popular uva utilizada em vinhos franceses é originária da Borgonha. Os vinhos mais aclamados, famosos e desejados do mundo são produzidos a partir desta casta. São suaves, discretos, porém, únicos e com tons bastante sofisticados. Se o leitor é amante da sétima arte e apreciador da bebida dos deuses Baco e Dionísio, uma boa dica é assistir o filme Sideways – Entre Umas e Outras. Nesse filme o protagonista descreve a Pinot Noir com tanta propriedade e reverência que vale a pena reproduzir o diálogo dele.

Miles Raymond, escritor e apreciador de vinhos, personagem do ator Paul Giamatti no filme ambientado na Califórnia, em um de seus diálogos diz o seguinte sobre a uva Pinot Noir, uma de suas prediletas:

“Ela tem uma casca fina, é temperamental, amadurece cedo. Ela não é uma sobrevivente como a Cabernet, que cresce basicamente em qualquer lugar e floresce até mesmo quando é negligenciada. Não, a Pinot precisa de atenção e cuidado constante. Entende? Na verdade, ela só cresce em lugares bem pequenos, específicos, em alguns cantos do mundo. Só o mais paciente e carinhoso dos produtores consegue cultivá-la. Apenas quem realmente pega um tempo para tentar entender o verdadeiro potencial da Pinot pode persuadi-la a alcançar sua máxima expressão. E aí, ah, seus sabores… são os mais assombrosos, e brilhantes, e emocionantes, e sutis… e antigos do planeta”.

Tannat. Também de origem francesa a Tannat se adaptou tão bem no Uruguai que se tornou a uva emblemática do país. Os vinhos produzidos a partir desta casta são encorpados e bastantes tânicos. Aliás, Tannat significa tanino em francês. Toda uva tinta é rica em polifenóis, mas a Tannat, concentra em maior quantidade do que as demais uvas tintas o resveratrol, um importante antioxidante que inibe os radicais livres e combate as doenças cardiovasculares.

Chardonnay. Originária da região de Borgonha, França, esta uva é responsável por elaborar os mais famosos vinhos brancos e espumantes em todo o mundo. São vinhos encorpados, macios e muito elegantes.

Hoje vamos finalizar com estas cinco uvas se não a coluna não terá fim, afinal, falar de uvas viníferas nem em um livro com centenas de páginas conseguiremos esgotar o tema. Até a próxima semana.

“A opinião deste colunista não reflete, necessariamente, a opinião da RedeTV! Espírito Santo.”

Publicitário; cursou Artes Plásticas na UFES; Enófilo, escreve sobre vinhos desde2010. Já escreveu sobre o tema em vários veículos de comunicação: revista SIM; jornais Em Pauta, O Ponto; Século Diário (jornal online); MovNews (jornal online). Assessor de Comunicação da PMV de 1994 a 2002; Assessor Técnico da Imprensa Oficial do ES de 2003 a 2019.

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