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IA pode “emburrecer” quem depende demais da tecnologia, alerta especialista em Fórum do CRA-ES

Especialista em inovação chama atenção para os riscos de transferir para a tecnologia tarefas que exigem raciocínio, aprendizado e tomada de decisão

O uso cada vez maior da inteligência artificial pode trazer ganhos de produtividade, mas também criar um efeito inesperado: fazer com que as pessoas deixem de desenvolver habilidades que antes eram essenciais no trabalho. O alerta foi feito pelo especialista em inovação e palestrante internacional Arthur Igreja durante o II Fórum Capixaba de Administração, realizado nesta quinta-feira (17), em Vitória.

Na abertura da palestra, Igreja provocou o público ao questionar se, atualmente, tudo precisa ser feito com inteligência artificial. Para o especialista, a discussão não deve se limitar à adoção de novas ferramentas, mas principalmente ao valor que empresas e profissionais estão conseguindo gerar a partir da tecnologia.

Segundo ele, a inteligência artificial tem sido utilizada principalmente para aumentar a produtividade, mas isso não significa, necessariamente, que as empresas estejam criando uma vantagem competitiva. A questão ganha ainda mais importância diante do cenário de estagnação da produtividade brasileira nos últimos anos.

Outro desafio apontado está na velocidade das mudanças no mercado de trabalho. De acordo com Igreja, cerca de 25% das competências exigidas profissionalmente mudam a cada ano. Com isso, atividades que eram consideradas importantes no passado podem perder relevância rapidamente.

A transformação também aumenta a exigência sobre os profissionais. Com tarefas cada vez mais automatizadas, o diferencial humano tende a estar menos na execução e mais na capacidade de interpretar informações, criar soluções, tomar decisões e identificar oportunidades.

O risco de “emburrecer” com a IA

Foi justamente nesse ponto que o especialista fez um dos principais alertas da palestra. A facilidade para obter respostas e executar tarefas por meio da inteligência artificial pode fazer com que usuários transfiram para a tecnologia não apenas o trabalho, mas também etapas do próprio processo de aprendizagem.

Igreja chamou esse comportamento de “modo IA” e afirmou que ele pode levar a um processo de “emburrecimento” quando a ferramenta passa a substituir capacidades que deveriam continuar sendo desenvolvidas pelas pessoas.

A preocupação não está no uso da inteligência artificial em si, mas na dependência excessiva da tecnologia. Para o especialista, é necessário estabelecer quais tarefas podem ser delegadas às ferramentas e quais competências precisam permanecer sob responsabilidade humana.

Durante a palestra “Estratégia e inteligência ampliada na Administração”, mediada pela superintendente interina do Sebrae/ES, Alline Zanoni, Igreja também destacou que a inteligência artificial representa uma mudança estrutural na forma de administrar negócios e equipes.

Na avaliação apresentada pelo especialista, a gestão passa por um momento de transformação que cria um cenário de antes e depois da inteligência artificial. Nesse contexto, empresas e profissionais precisam aprender a incorporar a tecnologia sem abrir mão da capacidade de pensar, aprender, analisar e tomar decisões.

O II Fórum Capixaba de Administração reúne profissionais, estudantes, especialistas e lideranças para discutir os impactos das novas tecnologias, do uso de dados e das mudanças no mercado de trabalho.

Com o tema “Administração na era da inteligência ampliada: pessoas, dados, decisão”, o evento faz parte das ações do Conselho Regional de Administração do Espírito Santo (CRA-ES) em comemoração aos 61 anos da regulamentação da profissão de Administração.

 

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