Compartilhe

VÍDEO: ES registra alta nos casos de maus-tratos à animais e cães são as principais vítimas

Os casos de maus-tratos a animais têm aumentado de forma preocupante no Espírito Santo e em todo o país. Muitos animais sobrevivem por dias ou até meses sem cuidados básicos, carregando no corpo e no comportamento marcas profundas de abandono, fome, doenças e violência.

Para protetores da causa animal, o problema ainda está enraizado em questões culturais. A falta de compreensão de que os animais são seres sencientes — capazes de sentir dor, medo e sofrimento — contribui para situações de negligência. Segundo voluntários, há uma idealização do “animal perfeito”, comum em filmes e redes sociais, mas distante da realidade. Na prática, cães e gatos exigem alimentação adequada, higiene, cuidados veterinários e atenção diária.

Em um abrigo localizado no bairro Veracruz, em Cariacica, histórias de maus-tratos se repetem. Uma das cadelas resgatadas, chamada Cíntia, viveu por um período com um fio de carregador amarrado ao pescoço, de forma extremamente apertada. Mesmo após meses do resgate, as marcas da agressão ainda são visíveis. Outra cadela, conhecida como Pretinha, apresenta sinais de trauma, reflexo do histórico de violência sofrido antes de ser acolhida.

Os dados oficiais confirmam o avanço das ocorrências. Informações do Observatório de Segurança Pública do Estado do Espírito Santo apontam que, em 2023, foram registrados 389 casos de maus-tratos. Em 2024, o número subiu para 426. Já em 2025, o total chegou a 625 registros, um aumento de quase 47% em comparação com o ano anterior. Os cães lideram as estatísticas de vítimas.

O Núcleo de Proteção Animal do Espírito Santo também divulgou balanço das ações realizadas. Em 2025, foram realizadas, em média, quatro operações mensais, resultando em 81 procedimentos concluídos, 20 prisões e aproximadamente 100 pessoas indiciadas. Ao todo, cerca de 600 animais foram resgatados no período.

Além das ações repressivas, o trabalho inclui medidas de conscientização. Mais de mil atendimentos individuais foram realizados, envolvendo palestras, orientações a servidores públicos e participação em audiências públicas, com foco na educação e prevenção.

Autoridades e protetores reforçam que denunciar é fundamental para interromper o ciclo de crueldade. A formalização das denúncias permite a investigação dos casos, a responsabilização dos agressores e o resgate das vítimas. Combater os maus-tratos, segundo especialistas, depende tanto da atuação policial quanto do engajamento da sociedade.

Notícias Recentes