O ateliê do pintor Kleber Galvêas, localizado na Barra do Jucu, em Vila Velha, mantém as portas abertas para visitantes e funciona como um verdadeiro mergulho na história das artes visuais. O espaço abriga não apenas produções do próprio artista, mas também peças de grande valor histórico, como trabalhos de Homero Macena — um dos nomes mais importantes da pintura capixaba, reconhecido por retratar paisagens e figuras humanas. Natural de Barbacena (MG), Macena morreu em 1974 e deixou um legado de destaque na cena artística regional.
Entre as raridades do acervo está um estudo do teto do Teatro Carlos Gomes, elaborado por Homero Macena. O teatro, recentemente reinaugurado, volta a ganhar destaque também pela memória preservada no ateliê. O espaço exibe ainda obras recebidas por Kleber Galvêas da Embaixada da China e diversas pinturas assinadas pelo próprio artista.
O acervo inclui também peças de valor afetivo, como três quadros pintados pela mãe de Kleber, datados da década de 1930, período em que ela frequentava a escola de pintura da irmã Teresa — considerada uma das primeiras escolas de arte do Espírito Santo com atuação prolongada.
Caminhar pelo ateliê é percorrer diferentes capítulos da história da pintura mundial. Um exemplo são dois quadros de 1816, adquiridos por Kleber em Portugal em 1967. As obras, de autor desconhecido, ajudam a compor a diversidade do espaço.
Kleber Galvêas, porém, planeja ir além da preservação individual. Ele trabalha na criação do Instituto Cultural Esther de Sá Oliveira Galvêas, nome escolhido em homenagem à mãe. O objetivo é fomentar e valorizar a cultura capixaba em múltiplas áreas, funcionando como um polo de criação, preservação e difusão das artes no Espírito Santo. Segundo o artista, o instituto será o primeiro passo para a futura implantação de um museu.
A proposta é que o museu funcione como referência histórica e didática, com acervo permanente que possa ser utilizado em atividades educacionais. “A ideia é que professores possam levar seus alunos ao museu para ver de perto um exemplo de pintura impressionista ou de qualquer outro movimento. Estudar arte apenas por gravuras ou filmes não é a mesma coisa”, explica Kleber.
Com a criação do instituto e do museu, a expectativa é fortalecer a cena cultural da Barra do Jucu, trazendo benefícios não apenas aos moradores, mas também a visitantes e pesquisadores interessados na arte produzida no Espírito Santo. Para o artista, a arte só se mantém viva quando encontra público. “Não existe arte sem público. Assim como o amor, ela não existe sozinha”, afirma.
O trabalho de incentivo à cultura também conta com apoio de veículos de comunicação locais, que seguem abrindo espaço para iniciativas que ampliam e valorizam a produção artística capixaba.
