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VÍDEO: Uso de bicicletas elétricas cresce e aumenta número de acidentes na Grande Vitória

As bicicletas elétricas estão cada vez mais presentes nas ruas e se consolidaram como uma das principais alternativas de transporte urbano no Espírito Santo. Mais ágeis que as bicicletas convencionais, elas têm sido utilizadas tanto para lazer quanto para deslocamento ao trabalho, especialmente por profissionais que atuam com entregas.

É o caso do professor Luan, que também trabalha como entregador e utiliza diariamente a bike elétrica como ferramenta de trabalho. Segundo ele, o cuidado no trânsito precisa ser redobrado, principalmente por se tratar de um equipamento que não é de uso pessoal.

“Essa bicicleta é do trabalho. A gente usa para fazer entregas na região, então precisa ter muito cuidado, tanto na ciclofaixa quanto no trânsito”, relatou.

No entanto, o crescimento desse modal tem sido acompanhado por um dado preocupante: o aumento no número de acidentes. Segundo o Observatório de Segurança, cerca de 350 ocorrências envolvendo bicicletas elétricas foram registradas ao longo de 2025 e no início de 2026 em todo o estado.

A maior concentração dos acidentes ocorre na Região Metropolitana da Grande Vitória, com destaque para o município de Vila Velha, que lidera o ranking de registros.

De acordo com especialistas em trânsito, a popularização das bikes elétricas se deve, principalmente, à praticidade e à ausência de exigências como Carteira Nacional de Habilitação (CNH), emplacamento e licenciamento, o que tem estimulado a migração de usuários para esse tipo de transporte.

“O aumento da circulação desses veículos acaba refletindo diretamente no crescimento dos sinistros”, explicou um representante da área de trânsito.

O tenente Lourenço destacou que o investimento em ciclovias e ciclofaixas em municípios como Vila Velha e Vitória também contribui para a concentração desses modais em determinadas regiões.

“Com mais espaços destinados a esse tipo de veículo, é natural que haja maior circulação e, consequentemente, mais registros de acidentes”, afirmou.

Levantamentos apontam que os principais fatores associados aos acidentes são o excesso de velocidade, que pode chegar a até 50 km/h, e a ausência de equipamentos de proteção, especialmente o capacete.

Profissionais da área da saúde alertam para os riscos. As bicicletas elétricas são mais pesadas e atingem velocidades superiores às bicicletas convencionais, aumentando a gravidade das ocorrências.

“O risco de trauma craniano, lesões na coluna e sequelas permanentes é alto. O uso do capacete pode evitar fraturas, sangramentos no cérebro e até cirurgias de emergência”, explicou um especialista.

Segundo os médicos, as vítimas podem sofrer prejuízos motores, dificuldades de comunicação, perda de memória e outras limitações cognitivas, algumas delas irreversíveis.

Em 2025, o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, encaminhou ao governo federal um pedido de regulamentação para o uso das bicicletas elétricas. Já em janeiro deste ano, entrou em vigor uma norma que prevê o emplacamento desses veículos.

Até que as regras sejam totalmente implementadas, autoridades reforçam que a principal ferramenta para reduzir os acidentes continua sendo a conscientização.

“O modal é sustentável, ajuda na mobilidade urbana, mas exige responsabilidade. É preciso respeitar as leis de trânsito, usar equipamentos de segurança e redobrar a atenção”, ressaltou o tenente Lourenço.

A orientação vale não apenas para os condutores, mas também para motoristas e pedestres, reforçando a importância da convivência segura entre os diferentes modais nas vias urbanas.

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