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Um homem de 39 anos foi preso em flagrante após aplicar golpes contra um empresário do ramo de ar-condicionado e fingir ser cunhado do prefeito de Viana, na Região Metropolitana de Vitória. Segundo a Polícia Civil, o suspeito exigiu R$ 6 mil da vítima, prometendo facilitar a aprovação de uma licitação municipal.
A prisão ocorreu na última segunda-feira (13), em uma padaria de Campo Grande, em Cariacica, durante uma operação conduzida por equipes do 18º Distrito Policial de Viana. O caso foi divulgado nesta quarta-feira (15).
De acordo com as investigações, o suspeito afirmava ter influência dentro da Prefeitura de Viana e se apresentava como parente do prefeito Wanderson Bueno (Podemos). Ele usava o argumento para enganar empresários e cobrar quantias em dinheiro em troca de supostos “favores políticos”.
O delegado Ygor Pereira, responsável pelo caso, explicou que o empresário conheceu o suspeito por meio das redes sociais e acabou acreditando nas falsas promessas.
“Após ver um vídeo postado pelo investigado com a legenda ‘este é meu prefeito’, o empresário perguntou se ele realmente conhecia o prefeito e se poderia ajudá-lo em um processo licitatório. A partir daí, começou todo um engodo, uma encenação para o empresário acreditar que poderia prestar serviço para o município”, afirmou o delegado.
Os prejuízos somam aproximadamente R$ 22,5 mil. Antes do golpe da licitação, o suspeito já havia enganado a vítima em outras ocasiões — uma delas com a promessa de emitir passagens aéreas para a França, pelo valor de R$ 18 mil, e outra com a venda de roupas e relógios que nunca foram entregues.
Emboscada em padaria
O encontro que levou à prisão foi marcado em uma padaria de Campo Grande, onde o empresário deveria entregar o pagamento de R$ 6 mil. O delegado Ygor Pereira acompanhou toda a ação de dentro do estabelecimento, enquanto outros policiais observavam do lado de fora.
“Quando vi que ele pegou o dinheiro, guardou e afirmou que garantiria a licitação por ser cunhado do prefeito, dei voz de prisão imediatamente”, relatou o delegado.
Durante o interrogatório, o suspeito confessou que mentiu sobre ter parentesco com o prefeito ou influência dentro da prefeitura. Disse apenas conhecer uma funcionária terceirizada, mas negou qualquer envolvimento em esquema de corrupção.
Em audiência de custódia realizada na quarta-feira (15), o homem foi liberado pela Justiça, mas deverá cumprir medidas cautelares enquanto responde ao processo.
Empresário não será investigado
Apesar de o empresário ter se mostrado disposto a pagar para obter vantagem indevida, ele não será investigado. Segundo o delegado, a vítima foi enganada e não cometeu crime.
“Embora essa conduta seja imoral, o ordenamento jurídico entende que a pessoa que busca obter vantagem, mas é ludibriada por alguém, não comete crime e figura como vítima”, explicou Ygor Pereira.
Histórico de golpes
A Polícia Civil informou que o suspeito já tem antecedentes por estelionato e responde a investigações semelhantes no Espírito Santo e no Amazonas. Há ainda denúncias na internet de pessoas que dizem ter sido vítimas do mesmo homem, que se apresentava como motorista de aplicativo e dono de agência de viagens.
“Ele tem conduta típica de estelionatário. Temos vasto conteúdo com áudios e mensagens mostrando como tentava ludibriar outras pessoas”, concluiu o delegado.
O homem foi autuado por tráfico de influência majorado, crime cometido ao usar o nome de autoridades e servidores públicos para obter vantagem financeira.





