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VÍDEO: Trabalhador capixaba gasta mais de uma hora para chegar ao trabalho todos os dias

Cerca de 127 mil trabalhadores capixabas gastam mais de uma hora no deslocamento diário até o trabalho, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número evidencia os desafios da mobilidade urbana na Grande Vitória e preocupa especialistas da área.
Para o urbanista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Tarcísio Bahia, a situação é típica dos grandes centros urbanos. “Essa é uma realidade das grandes cidades e a Grande Vitória não é diferente disso. Se a pessoa não trabalha perto de casa, que seria o ideal, ela terá que fazer o movimento que chamamos de ‘movimento pendular’, que é uma alusão ao pêndulo do relógio”, disse Tarcísio.
Ele explica que, quando o trabalhador não reside próximo ao local de trabalho, passa a enfrentar o chamado movimento pendular, caracterizado pelo deslocamento diário entre casa e emprego, o que resulta em desgaste físico e emocional ao fim do dia.
A mobilidade urbana é apontada como um dos principais desafios para os gestores públicos, com impacto direto na qualidade de vida da população. Na Região Metropolitana da Grande Vitória, os dados do IBGE mostram que Serra lidera o ranking de moradores que levam mais de uma hora para chegar ao trabalho, com 35.183 pessoas nessa condição. Em seguida aparecem Cariacica, com 25.318 trabalhadores, Vila Velha, com 23.812, e Vitória, com 10.239.
Segundo o professor, a solução passa necessariamente pelo investimento em transporte público de qualidade, com sistemas de alta capacidade, que garantam mais conforto e eficiência aos usuários. Entre as alternativas apontadas está a implantação do BRT (Bus Rapid Transit), modelo de transporte com corredores exclusivos para ônibus, maior velocidade operacional, veículos articulados e embarque em nível, o que reduz o tempo de espera e agiliza as viagens.
Tarciso Bahia reforça que projetos desse tipo precisam ser pensados e colocados em prática de forma imediata, para amenizar a rotina do trabalhador capixaba. Ele lembra que a implantação do BRT na Grande Vitória é discutida há vários governos, mas ainda não saiu do papel.
A reportagem esteve no Terminal de Carapina, onde ouviu usuários do sistema. Uma passageira relatou a escassez de ônibus em determinados horários, especialmente entre o fim da manhã e o início da tarde, o que afeta trabalhadores que precisam se deslocar entre diferentes locais de trabalho, como professores. Segundo ela, os veículos seguem lotados e a situação se agrava com a necessidade de atendimento a cadeirantes, o que demanda mais tempo e estrutura adequada. Para a usuária, é necessário ampliar a frota nesses horários para atender melhor a população.
Para especialistas e passageiros, a adoção de corredores exclusivos para ônibus seria um passo importante para reduzir os atrasos, evitar que os coletivos fiquem presos em congestionamentos e garantir mais agilidade no transporte. A expectativa é de que investimentos estruturais possam melhorar o cenário e oferecer um futuro mais eficiente para quem depende diariamente do transporte público na Grande Vitória.

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