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Rock capixaba resiste ao tempo e revela nova geração de artistas no Espírito Santo

Longe de ter ficado no passado, o rock produzido no Espírito Santo continua vivo, renovando públicos, revelando bandas e ocupando espaços importantes na cena cultural capixaba. Mesmo após o auge vivido no início dos anos 2000, quando festivais reuniam milhares de pessoas e grupos locais conquistavam projeção nacional, músicos, produtores, casas de shows e emissoras especializadas garantem que o gênero segue em constante movimento.

A história do rock no Estado ganhou destaque nacional com bandas como Casaca, que levou a cultura capixaba para além das fronteiras brasileiras e chegou a ter uma de suas músicas enviada à missão da NASA em Marte. No mesmo período, eventos realizados na Praça do Papa, em Vitória, reuniam cerca de 30 mil pessoas para prestigiar apresentações de bandas autorais, consolidando um dos momentos mais marcantes da música independente no Espírito Santo.

Segundo músicos que acompanharam essa fase, o início dos anos 2000 representou uma explosão da produção musical local, com dezenas de grupos gravando discos, realizando shows e conquistando espaço dentro e fora do Estado. Além do Casaca, bandas como Animal, Java Roots e Macucos ajudaram a fortalecer o cenário musical capixaba.

Para os integrantes dos Macucos, por exemplo, participar dos grandes festivais da época foi determinante para a carreira da banda. Após se apresentar para milhares de pessoas, o grupo assinou contrato com uma grande gravadora e passou a desenvolver projetos em nível nacional.

Apesar da percepção de parte do público de que o rock teria perdido força ao longo dos anos, quem atua diretamente na cena afirma que a realidade é diferente. Atualmente, diversas casas de shows mantêm programação frequente dedicada ao gênero, enquanto bandas de diferentes gerações continuam se apresentando regularmente em Vitória e na Grande Vitória.

O cenário também preserva nomes tradicionais. A banda Bríida, por exemplo, segue na ativa há mais de três décadas, mantendo a produção autoral e os shows pelo Espírito Santo. Seus integrantes destacam que o grupo nasceu da união entre músicos que buscavam desenvolver composições próprias, tornando-se uma das formações mais duradouras do rock capixaba.

Outro exemplo de projeção nacional é o Dead Fish, referência no hardcore brasileiro. Formada em Vitória por um grupo de skatistas, a banda construiu sua trajetória de forma independente, produzindo os próprios discos, organizando turnês e administrando sua carreira antes de assinar contrato com uma gravadora nacional em 2003.

Enquanto nomes históricos permanecem ativos, uma nova geração também começa a conquistar espaço. Bandas como John Roger, formada há pouco mais de um ano, apostam em um rock alternativo influenciado por diferentes vertentes do gênero. Os integrantes afirmam que o objetivo é desenvolver uma identidade própria e demonstrar que o rock continua vivo entre os músicos mais jovens.

Outro exemplo é a Berlock Band, composta por adolescentes que descobriram cedo a paixão pelos instrumentos musicais. Os integrantes contam que o interesse pelo rock surgiu ainda na infância e que a dedicação diária aos estudos e ensaios tem impulsionado o crescimento da banda. Para eles, a música vai além do entretenimento e representa uma forma de expressão e realização pessoal.

Também fazem parte dessa renovação grupos como Baby Laura e Dona Fran, que vêm conquistando público com propostas que transitam entre o classic rock, influências brasileiras e interpretações de grandes nomes nacionais e internacionais.

A permanência do gênero também depende da estrutura que sustenta a cena musical. Casas de shows especializadas continuam abrindo espaço para bandas autorais, artistas independentes e festivais dedicados ao rock. Proprietários desses estabelecimentos destacam que os palcos menores funcionam como importantes laboratórios para que músicos desenvolvam repertório, ganhem experiência e ampliem o alcance de seus projetos.

Entre os espaços apontados como referências estão o Motor Rock e o Correria, que promovem eventos frequentes e incentivam tanto artistas consagrados quanto bandas iniciantes. Segundo os organizadores, o fortalecimento da nova geração é essencial para garantir a continuidade da cena rock no Espírito Santo.

A divulgação também passa pelas ondas do rádio. Desde 1999, a Rádio Rock mantém uma programação voltada ao gênero e reserva espaço para artistas capixabas. Responsáveis pela emissora afirmam que incentivar a produção musical local faz parte da identidade da rádio, que se consolidou como uma vitrine para bandas independentes do Estado.

Com diferentes estilos, públicos e gerações convivendo no mesmo cenário, músicos, produtores e empresários concordam em um ponto: o rock capixaba segue se reinventando. Dos grupos que marcaram época às bandas recém-formadas, a cena continua produzindo música, formando novos artistas e mantendo viva uma das manifestações culturais mais tradicionais do Espírito Santo.

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