Os comerciantes Manuel Oliveira e Roberto Tomé trabalham vendendo frutas e verduras. Ambos não foram alfabetizados. “Naquele tempo, era diferente. Para aprender, não era que nem agora”, comentou Manuel. Já Roberto revela como o ensino impacta em sua vida. “Fez falta, e muita. Fez muita falta o estudo e a leitura. Sem leitura, não tem nada”.
Um novo levantamento revelou que três em cada dez brasileiros, entre 15 e 64 anos, são considerados analfabetos funcionais.
Essa condição define pessoas que, ao se depararem com textos um pouco mais longos e complexos, não conseguem realizar uma tarefa com base na leitura e na escrita.
O estudo aponta ainda que essa estatística vem crescendo entre os mais jovens. O percentual de pessoas entre 15 e 29 anos consideradas analfabetas funcionais saltou de 14% em 2018 para 16% em 2024.
“A Leitura com interpretação, com raciocínio lógico, com criticidade: é esse alfabetismo que a gente busca”, revela a especialista em educação, Simone Bergamo. “O analfabetismo funcional impede que essa leitura some a ela algo crítico e que sirva para uma construção mais complexa”.
Especialistas avaliam que o retrocesso pode ter se agravado por causa da pandemia, com o isolamento social afetando diretamente o processo educacional.





