Aproveitando essa onda de autocuidado entre as consumidoras, grandes marcas de luxo como Chanel e Gucci expandem suas labels para esse nicho, em busca de novos clientes.
Aproveitar tendências de mercado é o que prova a longevidade de uma marca; acompanhando o que está em alta nas passarelas ou migrando para um novo braço da label, a história, prestígio e recursos das grifes as permitem explorar diferentes nichos e conquistar novos clientes. Com identidades visuais estabelecidas e embaixadores célebres, as marcas de luxo possuem todas as ferramentas para tocar os mais diversos mercados da experiência de luxo, seja a beleza, gastronomia ou até a hotelaria.
Muitas das principais grifes europeias já haviam tocado os pés no mercado de cosméticos de luxo, com linhas simples e produtos que chegaram a fazer sucesso entre as amantes do autocuidado. Apesar de tentativas na introdução no nicho, as marcas-pilares da moda não tiveram o mesmo sucesso na área da beleza, dado à grande concorrência com as já estabelecidas no mercado, como La Mer, Estée Lauder e Shiseido.
Porém, os anos de pandemia trouxeram uma reviravolta para a dinâmica do nicho: com potenciais clientes confinadas em suas casas, o consumo de itens de moda declinou drasticamente e o poder de compra foi redirecionado principalmente aos produtos de autocuidado, como maquiagens, skincare e bodycare. Percebendo essa nova crescente no mercado, os times de grifes como Hermès, Gucci e Dior passaram a investir na criação e/ou expansão de suas próprias linhas de cosméticos.

Mas, além das tendências de mercado, por quê é interessante para uma marca já estabelecida lançar uma linha de beleza?
Grandes labels de moda possuem uma clientela relativamente restrita; peças como bolsas de mão, sapatos e cintos requerem altos investimentos mirando na casa das dezenas de centenas de reais, alcançando poucos consumidores. Com essa nova aventura no nicho de beleza, é possível que a marca disponibilize produtos mais acessíveis e com menos “pressão” no investimento em seu consumo, atraindo novos clientes. O alvo dessa estratégia, apelidada “luxo acessível”, são os consumidores que possuem o interesse em ter uma relação com a marca, porém não possuem o poder de investimento de uma peça da linha principal. A estratégia também é usada para a produção de linhas de perfumaria e ótica, conectando clientes à marca de forma mais próxima e acessível.

O resultado da exploração desse novo nicho por marcas de moda foi frutífero. Com uma grande margem de lucro pelos grandes holdings como LVMH e Kering. Além de representar um projeto que é facilmente colocado em ação – com a possibilidade de terceirização na fabricação dos cosméticos em laboratórios já estabelecidos –, a presença da identidade visual da marca na divulgação e embalagem dos cosméticos é o que ganha os consumidores que desejam essa conexão; seja um batom da Gucci com uma pegada vintage ou um compacto da Hermès em seu icônico laranja, o fator visual ganha os clientes.


