O novo vício: como os remédios que tiram a fome estão apagando o prazer

Nos últimos anos, a febre da semaglutida, da retatrutida e de outros análogos de GLP-1 virou tema de conversa em academias, consultórios e redes sociais.
O discurso é simples: o remédio “tira a fome”, “controla a ansiedade” e “faz a pessoa secar”.
Mas a pergunta que quase ninguém faz é: 
o que acontece com o cérebro quando a gente cala o corpo à força?

Essas drogas não são apenas sobre emagrecimento. Elas estão mexendo diretamente com o sistema de recompensa, a engrenagem cerebral que nos move — seja para comer, lutar, trabalhar ou amar.

A dopamina não é o prazer. É a vontade de chegar lá.

O ser humano não se vicia na comida em si.
Ele se vicia na antecipação do prazer que ela promete.
É dopamina pura: o mesmo neurotransmissor que acende quando alguém vence uma luta, fecha um contrato, ou escuta o som do gatilho travando.

Com o tempo — e principalmente com o uso constante de estímulos intensos como açúcar, gordura e redes sociais — o cérebro entra em hipodopaminergia.
Ou seja: precisa de mais estímulo pra sentir o mesmo prazer.
A pessoa come não porque tem fome, mas porque 
precisa sentir alguma coisa.

O GLP-1 entra no jogo: o hormônio que conversa com o cérebro

Os análogos de GLP-1, como a semaglutida e a retatrutida, fazem algo brilhante do ponto de vista clínico:
eles bloqueiam a fome e diminuem o desejo por comida, agindo em núcleos cerebrais ligados à recompensa — principalmente o núcleo accumbens e a área tegmentar ventral.

Na prática, o sujeito deixa de sentir aquele impulso incontrolável de abrir a geladeira à noite.
O problema é que o GLP-1 não é seletivo: ele reduz o 
drive dopaminérgico de forma ampla.
E quando o sistema de recompensa desacelera demais, a pessoa não perde só a fome.
Ela perde a vontade.

Corpo seco, mente vazia

Muitos relatam que, após meses de uso, sentem menos prazer em comer, em treinar, em socializar — e até em sentir desejo sexual.
Não é fraqueza. É neurofisiologia pura.
O mesmo circuito que controla a compulsão também controla a motivação.
É como trocar o vício por anestesia.

E aí surge um novo tipo de dependência: a dependência do equilíbrio químico artificial.
Um corpo magro, mas um cérebro que não reage.
Sem dopamina, não há direção. Sem direção, não há propósito.

O futuro do prazer humano

Se o açúcar foi o vício do século XX, o antivício farmacológico pode ser o do século XXI.
Estamos virando uma geração que não sente fome — mas também não sente prazer.
A mesma sociedade que busca performance total agora corre o risco de matar o desejo, o combustível que move a ação humana.

A dopamina é a faísca da vontade.
E, como tudo na vida, ela precisa de regulagem, não de supressão.
O equilíbrio não está em calar o corpo nem em dopar o cérebro.
Está em dominar o impulso e entender a mente.

A disciplina é o que a dopamina deveria ser.
O vício te prende; o controle te liberta.
E é nisso que a gente acredita: performance com consciência.

“A opinião deste colunista não reflete, necessariamente, a opinião da RedeTV! Espírito Santo.”

Pedro Castro: Bacharel em Direito e Marketing, pós graduado em Digital Strategy Leadership; Mídia Performance; Marketing Digital; Finanças e Mercados de Capitais; Gestão de Nagócios. Pós graduando em Biomecânica e psicofisiologia do combate. Faixa preta de Jiu-Jitsu; Grau Preto de Muay Thai; Instrutor de Armamento e Tiro; Instrutor de Retenção e Contra-retenção de armas de fogo; Instrutor de Combate Veicular; Instrutor de Imobilizações Táticas e uso de algemas; Operador MARC1 e Instrutor Stop the Bleed. Há mais de duas décadas, Pedro Castro, fundador da Brutal Precision, dedicou sua vida ao estudo e ensino das nuances do enfrentamento entre seres humanos. Com uma paixão inabalável pela segurança pessoal e pelo manuseio de armas de fogo, Pedro desenvolveu uma metodologia exclusiva que combina técnicas de artes marciais com as práticas mais avançadas de tiro. Essa integração permite que nossos alunos desenvolvam habilidades básicas, simples, mas extremamente eficazes.

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