A recente perda da cantora Preta Gil comoveu o Brasil inteiro. Mais do que uma artista carismática, ela era símbolo de coragem, amor-próprio e autenticidade — uma mulher que usou sua voz não apenas para cantar, mas para inspirar, lutar, transformar. Sua partida precoce, aos 49 anos, vítima de um câncer colorretal agressivo, acendeu um alerta profundo sobre um tema que ainda é cercado de silêncio, tabu e negligência: o câncer de intestino.
Mas afinal, o que é esse tipo de câncer? Como ele se manifesta? E por que está crescendo tanto, inclusive em mulheres jovens, como foi o caso de Preta?
O QUE É O CÂNCER COLORRETAL?
É o terceiro tipo de câncer mais comum no Brasil, atingindo o intestino grosso (cólon) e o reto. Apesar de silencioso em suas fases iniciais, ele pode ser altamente letal quando descoberto tardiamente. Segundo o INCA, mais de 45 mil novos casos surgem por ano no país — e o número vem crescendo entre os mais jovens, especialmente mulheres.
Trata-se de um câncer evitável e tratável se diagnosticado precocemente, mas que infelizmente ainda carrega o peso da vergonha e da falta de informação, o que dificulta o rastreio adequado.
OS SINAIS QUE NINGUÉM PODE IGNORAR
Preta Gil relatou, já em estágios avançados da doença, dores abdominais intensas, episódios de sangue nas fezes, cansaço extremo e perda de peso inexplicada. Esses são sintomas clássicos que muitas vezes são ignorados ou confundidos com problemas comuns, como síndrome do intestino irritável, hemorróidas, gastrite ou estresse.
Outros sintomas de alerta incluem:
- Alterações no hábito intestinal (diarreia ou constipação persistente)
- Sensação de evacuação incompleta
- Gases, inchaço abdominal frequente
- Anemia sem causa aparente
FATORES DE RISCO: O QUE CONTRIBUI?
O câncer colorretal é multifatorial. Entre os principais riscos estão:
- Dieta pobre em fibras e rica em carnes vermelhas (compre só do açougue) e carnes processadas
- Sedentarismo e obesidade abdominal
- Consumo excessivo de álcool e tabaco
- Histórico familiar de câncer colorretal ou pólipos
- Condições intestinais crônicas (como retocolite ou Doença de Crohn)
- Microbiota intestinal desequilibrada
- Exposição constante a toxinas, aditivos alimentares e inflamação intestinal silenciosa
A verdade é que nosso estilo de vida atual está nos adoecendo. A pressa, os alimentos ultraprocessados, o intestino que vive inflamado, o sono negligenciado, a falta de escuta do corpo — tudo isso cria o terreno fértil para o adoecimento.
O CASO DA PRETA GIL: UM CÂNCER QUE AVANÇOU RÁPIDO
Preta foi diagnosticada em janeiro de 2023, após sentir sintomas que já vinham se intensificando há algum tempo. Ela passou por cirurgias, quimioterapia e chegou a fazer colostomia. Mesmo com todo o suporte médico, o câncer já havia se espalhado, atingindo outros órgãos. Em julho de 2024, ela foi internada com um quadro grave de infecção generalizada, e veio a falecer pouco depois, deixando um legado de luz — e um alerta profundo para todas nós.
Sua história é um chamado à consciência: não podemos mais negligenciar os sinais do nosso corpo.
O INTESTINO É O SEGUNDO CÉREBRO —
E TAMBÉM UM ORÁCULO DA SAÚDE
O câncer colorretal não nasce do nada. Ele é o resultado de um ambiente inflamatório crônico, que muitas vezes começa anos antes do diagnóstico. Um intestino inflamado, preso, intoxicado, é terreno fértil para a mutação celular.
Hoje sabemos que mais de 70% do sistema imunológico está no intestino. Uma microbiota desequilibrada, dominada por bactérias pró-inflamatórias e pobre em diversidade, é um dos gatilhos silenciosos para doenças autoimunes, depressão, obesidade e também o câncer.
O QUE FAZER PARA SE PROTEGER?
A boa notícia é que há muito o que podemos fazer para prevenir. Mudanças simples, mas consistentes, têm impacto real na saúde do intestino:
- Aumentar a ingestão de fibras (frutas, verduras, legumes, sementes e grãos integrais)
- Reduzir ao máximo os ultraprocessados, corantes, conservantes e carnes embutidas
- Manter um intestino funcional e saudável, com evacuações regulares e microbiota equilibrada
- Suplementar (quando necessário) com glutamina, probióticos, zinco, cúrcuma, NAC, ômega-3
- Evitar álcool, cigarro e sedentarismo
- Cuidar do sono, da digestão e do eixo intestino-cérebro
Além disso, fazer exames de rastreio a partir dos 45 anos (ou antes, se houver histórico familiar), como colonoscopia, pode salvar vidas.
QUE A DOR SE TRANSFORME EM CONSCIÊNCIA
A dor da perda de Preta Gil é coletiva. Mas também é oportunidade de despertar. De escutar mais o corpo. De ensinar nossas pacientes a olharem com mais carinho para suas fezes, seus hábitos intestinais, suas dores silenciosas.
Mais do que falar de câncer, precisamos falar de vida. De escolhas diárias. De saúde integral. E do direito que todas nós temos de viver com plenitude, leveza e prevenção. E se você quiser melhorar sua saúde, prevenindo doenças como essa, melhorando sua saúde como um todo através da alimentação procure uma nutricionista atualizada! Já me segue no instagram @nutridracamila
