Essa frase provavelmente vai incomodar algumas pessoas.
E tudo bem.
Porque existe uma diferença enorme entre provocar uma conversa e espalhar uma informação sem fundamento.
Hoje, você abre o celular e encontra vídeos dizendo que determinado creme “derrete gordura”, que determinado ativo “levanta o rosto”, que uma cápsula “reconstrói o colágeno” ou que um ingrediente é capaz de transformar completamente a estrutura facial.
O vídeo tem milhões de visualizações.
Mas milhões de visualizações não transformam uma afirmação em evidência científica.
Viralização não é validação científica.
E quando falamos de envelhecimento facial, essa diferença é ainda mais importante.
O rosto envelhece muito além da superfície.
Retinoides, como tretinoína, retinol e retinal, têm importância no cuidado da pele e apresentam evidências para diferentes aspectos do fotoenvelhecimento.
Mas o envelhecimento facial não acontece somente na epiderme.
Ao longo dos anos, acontecem alterações no colágeno, na matriz extracelular, nos fibroblastos, na elastina, no tecido adiposo, nos ligamentos e também nas estruturas ósseas.
É por isso que, em determinadas pessoas, mesmo com uma rotina excelente de skincare, proteção solar e procedimentos estéticos, o contorno facial continua mudando.
Não é simplesmente “falta de creme”.
É envelhecimento estrutural.
E aqui começa uma conversa que considero muito interessante:
o que o organismo precisa para produzir e manter adequadamente sua matriz extracelular?
É aqui que entra o silício.
O silício participa de processos relacionados ao tecido conjuntivo e vem sendo estudado por seu possível papel na formação e manutenção da matriz extracelular.
Uma das formas mais estudadas é o ácido ortossilícico estabilizado, uma forma biodisponível de silício.
Em um estudo randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, 50 mulheres com pele facial fotoenvelhecida receberam, durante 20 semanas, ácido ortossilícico estabilizado com colina fornecendo 10 mg de silício por dia.
Os pesquisadores observaram melhora em parâmetros relacionados à rugosidade e às propriedades mecânicas da pele. O estudo também encontrou redução da fragilidade de unhas e cabelos. (PubMed)
Isso é interessante.
Mas atenção à palavra que deveria estar presente em qualquer conversa séria sobre ciência:
interessante não significa milagroso.
Esse estudo não prova que o silício “derrete a flacidez”, não demonstra que ele reposicione estruturas profundas do rosto e não permite afirmar que qualquer produto chamado de “silício orgânico” terá o mesmo efeito.
A forma química, a biodisponibilidade e a dose importam.
E onde entra a vitamina C?
A vitamina C tem uma função muito mais conhecida nesse processo.
Ela é necessária para a biossíntese do colágeno e também exerce função antioxidante. (ODS)
Em outras palavras: quando falamos de matriz extracelular e colágeno, não estamos falando apenas de “tomar alguma coisa para produzir colágeno”.
Estamos falando de fornecer ao organismo condições adequadas para que esses processos fisiológicos aconteçam.
Por isso, a associação entre silício biodisponível e vitamina C é biologicamente interessante.
Mas existe uma diferença fundamental entre uma associação biologicamente plausível e um protocolo clinicamente comprovado para tratar flacidez facial.
E eu faço questão de deixar essa diferença clara.
Uma sugestão para conversar com seu profissional
Se você estiver pensando em uma suplementação voltada para pele, cabelo e unhas, uma possibilidade a ser discutida com médico ou nutricionista é uma formulação contendo silício biodisponível associado à vitamina C.
A vitamina C, por exemplo, tem papel reconhecido na síntese de colágeno. (ODS)
Já para o silício, eu não copiaria simplesmente uma “receita viral” dizendo 100 mg de silício orgânico, porque isso pode ser cientificamente impreciso: é necessário saber qual forma de silício está sendo utilizada e quanto de silício elementar ela realmente fornece.
O estudo clínico citado anteriormente utilizou 10 mg/dia de silício na forma de ácido ortossilícico estabilizado com colina — uma informação muito diferente de simplesmente escrever “100 mg de silício orgânico” em uma cápsula. (PubMed)
Portanto, a formulação e a dose devem ser individualizadas por um profissional habilitado.
E aqui está a minha provocação.
Antes de compartilhar aquele vídeo que promete “acabar com o rosto de buldogue”, pergunte:
Onde está o estudo?
Quantas pessoas participaram?
Qual foi a dose?
Qual foi a forma da substância?
Durante quanto tempo foi utilizada?
Havia grupo placebo?
O resultado foi medido objetivamente ou apenas mostrado em uma fotografia de antes e depois?
Porque a internet transformou uma coisa extremamente perigosa em normal:
confundir autoridade com aparência de autoridade.
Um jaleco não transforma uma afirmação em ciência.
Um milhão de visualizações não transforma uma hipótese em tratamento.
E uma informação repetida mil vezes continua podendo estar errada.
O envelhecimento é complexo.
A pele é complexa.
A matriz extracelular é complexa.
E justamente por isso, nossa comunicação também precisa ser responsável.
Não precisamos escolher entre estética e ciência.
Podemos ter as duas.
Cuidar da pele por fora é importante.
Cuidar da saúde de dentro também é importante.
Mas nenhuma das duas deve ser baseada em promessas que a ciência ainda não comprovou.
E essa talvez seja a maior diferença entre um conteúdo que apenas viraliza e um conteúdo que realmente informa.
Saiba mais através whatsapp( 027) 99867-0049






