A pergunta pode parecer estranha. Afinal, quando planejamos uma viagem, normalmente procuramos exatamente o contrário: o que fazer, onde ir, o que conhecer, quais atrações visitar, onde comer, o que fotografar.
Montamos roteiros, salvamos lugares no celular, fazemos listas e, muitas vezes, voltamos para casa cansados de tanto tentar aproveitar cada minuto.
Mas e se, em uma próxima viagem, a proposta fosse justamente não fazer nada?
Não ter pressa para acordar, não correr para o próximo ponto turístico, sentar diante de uma paisagem e simplesmente olhar, caminhar sem a obrigação de chegar a algum lugar, tomar um café demoradamente, conversar ou simplesmente ficar.
Talvez tenhamos nos acostumado tanto a preencher o tempo que esquecemos que descansar também pode ser uma forma de viajar.
Eu também aprendi a viajar assim
Eu confesso: faço parte do grupo que quer conhecer o máximo possível de uma cidade. Gosto de pesquisar, descobrir lugares, montar roteiros e aproveitar cada oportunidade. Mas, com o tempo, descobri uma maneira de viajar sem roteiro que funciona muito bem para mim: voltar para lugares que já conheço.
Foi assim que passei a olhar São Paulo de outra maneira. Como vou à cidade com frequência, já conheci praticamente todas as atrações que queria. Então, em uma dessas viagens, resolvi não fazer roteiro. Simplesmente fui sentir a cidade.
Andei a pé, sem destino definido. Parei em um parque onde as pessoas tomam sol na grama, algumas até de traje de banho, em uma cena que me lembrou os parques europeus. Descobri, por acaso, um brechó vintage incrível, apreciei um grafite interessante num muro, uma sorveteria deliciosa e uma galeria de arte que não estava entre as atrações mais famosas.
Foi quando percebi que, quando já conhecemos um destino, podemos deixar de ser turistas e simplesmente viver o lugar.

Algo parecido aconteceu em Lavras Novas, em Minas Gerais. Era a minha primeira vez na cidade, mas fui sem roteiro, com a intenção de simplesmente curtir o lugar. É claro que a gente acaba esbarrando nas atrações turísticas, ainda mais em uma cidade pequena, mas elas deixam de ser o foco.
O mais interessante passa a ser observar as pessoas em um restaurante da praça, caminhar pelo vilarejo, conversar com os moradores, reparar nas casinhas coloridas, contemplar as grandiosas pedras e deixar o dia acontecer no ritmo de quem vive ali.
Dessa vez, não era o meu tempo que comandava a viagem.
Era o tempo do destino.
E foi justamente assim que, sem procurar, encontrei um restaurante com uma cachoeira dentro e degustei um delicioso pastel de angu, assisti a um pôr do sol espetacular e ainda me deparei com uma igreja do século XVIII no coração do vilarejo. Nada disso estava no roteiro. Mas tudo virou parte da viagem.
Quando viajamos, existe uma certa sensação de que precisamos aproveitar tudo. Se existe uma trilha, precisamos fazer. Se existe uma cachoeira, precisamos conhecer. Se existe um restaurante famoso, precisamos experimentar. Se existe um mirante, precisamos fotografar.
E, quando percebemos, estamos transformando alguns dias de descanso em uma verdadeira maratona.
Mas viajar não precisa ser uma competição.
O luxo de ter tempo
Talvez o verdadeiro luxo de uma viagem seja ter tempo. Tempo para tomar café, olhar pela janela, observar uma árvore, ouvir uma história de quem mora naquele lugar e até não saber o que fazer.
No Espírito Santo, também temos lugares que permitem experimentar esse outro ritmo. Nas montanhas, uma propriedade rural, um café, uma caminhada ou simplesmente uma paisagem podem ser o próprio motivo da viagem. No litoral, uma vila tranquila ou algumas horas sem compromisso também podem render experiências que não estavam no roteiro.
Porque um destino não precisa estar cheio de atrações para ser interessante. Às vezes, ele precisa apenas nos dar espaço para perceber o que está ao nosso redor.
Pensando bem, talvez a pergunta do título precise de uma pequena mudança:
Você viajaria para um lugar onde não há nada que você precise fazer?
Aí a resposta pode ser outra.
Talvez a gente não esteja procurando um lugar sem atrações. Talvez esteja procurando um lugar onde não exista a obrigação de aproveitar tudo.
Um lugar onde seja possível simplesmente estar.
Às vezes, basta chegar, respirar, olhar e deixar o destino acontecer.
Algumas viagens ficam na memória pelos lugares que conhecemos. Outras, pelas pessoas que encontramos. Algumas, pelos sabores.
E existem aquelas em que não fizemos nada extraordinário, mas voltamos para casa sentindo que vivemos alguma coisa importante.
E você? Viajaria para um lugar onde não há nada que você precise fazer?
Te encontro no próximo destino! O DAQUIPRALI fica por aqui, mas você continua a nossa viagem pelas plataformas digitais. Siga a gente. Até a próxima!

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