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Desemprego atinge 7 em cada 10 inscritos no CadÚnico no Espírito Santo, aponta estudo

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O desemprego aparece como uma das faces mais visíveis da pobreza no Espírito Santo. Um levantamento divulgado em agosto de 2025 pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) mostra que 69,5% da população em idade ativa inscrita no Cadastro Único (CadÚnico) está desocupada. Na prática, isso significa que 7 em cada 10 pessoas em situação de vulnerabilidade não têm trabalho.

O estudo, intitulado “Perfil da Pobreza no Espírito Santo: Famílias inscritas no CadÚnico”, identifica uma série de fatores que dificultam o acesso dos mais pobres ao mercado de trabalho: baixa escolaridade, sobrecarga feminina, predominância da informalidade e desigualdades regionais.

Sobrecarga feminina e chefia de famílias

Segundo o diretor de Integração e Projetos Especiais do IJSN, Antônio Rocha, os números refletem um problema estrutural da sociedade brasileira.

“Mais de 80% dos responsáveis por famílias inscritas no CadÚnico são mulheres. Elas acumulam funções: cuidar dos filhos, da casa e, quando possível, buscar uma ocupação. Essa sobrecarga limita o acesso ao mercado de trabalho e ajuda a explicar a baixa taxa de ocupação”, afirma.

Diferenças regionais

O levantamento também aponta disparidades regionais. Municípios do Noroeste, como Mantenópolis (82,6%) e Água Doce do Norte (82,0%), registram as maiores taxas de informalidade. Já no Norte do Estado, Ponto Belo tem a menor taxa de ocupação entre inscritos no CadÚnico: apenas 19,2%.

Em contrapartida, municípios das regiões Central e Sul apresentam índices mais favoráveis. Em Itarana, por exemplo, a taxa de ocupação chega a 45,4%, a maior do Espírito Santo.

“As regiões do norte do Estado demonstram menor dinamismo econômico, com maior prevalência de ocupações informais e menor desenvolvimento. Já as regiões central e sul, com maior oferta de empregos nos setores de serviços e comércio, apresentam taxas de ocupação mais elevadas”, explica Rocha.

Baixa escolaridade fecha portas

A falta de estudo é outro entrave. Entre os inscritos no CadÚnico com 25 anos ou mais, a média é de apenas 6,7 anos de estudo — ou seja, a maioria não concluiu o ensino fundamental.

Entre os trabalhadores ocupados, 35,3% concluíram no máximo essa etapa escolar, o que restringe as oportunidades e concentra a população vulnerável em vagas de baixa remuneração.

Informalidade e ocupações precárias

A precariedade também marca a realidade dessa população. O estudo mostra que 46% dos ocupados estão na informalidade, principalmente em atividades sazonais e agrícolas. Isso evidencia a ausência de empregos formais em regiões menos desenvolvidas e o peso de ocupações temporárias.

Condições de infraestrutura

Além do mercado de trabalho, o levantamento analisou as condições de moradia das famílias do CadÚnico. Os dados revelam que:

  • 26,2% não têm acesso a esgotamento sanitário adequado;

  • 15,7% não contam com abastecimento de água adequado;

  • 8,8% não possuem coleta de lixo regular.

Esses indicadores mostram que a vulnerabilidade da população inscrita no CadÚnico não se limita à renda, mas envolve também infraestrutura básica e qualidade de vida.

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