
Um contrato de confidencialidade oferecido por agências de marketing a influenciadores para a divulgação de conteúdos críticos ao Banco Central (BC), após a liquidação do Banco Master, previa multa de R$ 800 mil em caso de quebra de sigilo e fazia referência ao chamado “Projeto DV”, iniciais associadas a Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira. O documento foi encaminhado ao vereador Rony Gabriel (PL-RS), de Erechim, e à comunicadora Juliana Moreira Leite, ambos com grande alcance nas redes sociais, mas os dois recusaram a proposta.
Embora o Banco Master e Vorcaro não fossem citados nominalmente, o contrato estabelecia regras rígidas de confidencialidade, aplicáveis mesmo sem vínculo formal entre as partes, e determinava que todas as informações fossem usadas exclusivamente em projetos da empresa de marketing Unltd. A abordagem partiu de André Salvador, sócio da Unltd Network Brazil, que afirmou atuar na gestão de reputação e de crise de um grande executivo, em meio a uma disputa política envolvendo o sistema financeiro.
O agente chegou a enviar exemplos de conteúdos que poderiam servir de modelo para publicações, produzidos por influenciadores e perfis de grande alcance que criticavam a liquidação do Banco Master e levantavam suspeitas sobre a atuação do BC, após o Tribunal de Contas da União (TCU) solicitar esclarecimentos sobre o processo.
Segundo revelou o Estadão/Broadcast, a iniciativa coincidiu com uma ofensiva coordenada nas redes sociais contra o Banco Central e a Febraban, identificada em monitoramento da federação dos bancos. Em um intervalo de cerca de 36 horas, milhares de postagens questionaram a credibilidade das instituições envolvidas na liquidação, decretada em novembro e atualmente sob análise do TCU. O pico ocorreu em 27 de dezembro, com mais de 4,5 mil publicações, tendo como principal alvo um ex-diretor do BC responsável por decisões-chave no processo.

