Compartilhe

Cariacica aparece entre as 50 cidades com maiores taxas de estupro no Brasil

Divulgação: Freepik

Os casos de estupro e estupro de vulnerável continuam a crescer no Espírito Santo, de acordo com os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2024, divulgado nesta quinta-feira (24). O levantamento, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revela que Cariacica, na Grande Vitória, figura entre as 50 cidades com as maiores taxas de estupro do país.

Segundo o anuário, o município aparece na 46ª posição nacional, com uma taxa de 63,1 casos a cada 100 mil habitantes. O dado é calculado com base na soma de registros de estupro e estupro de vulnerável. Em 2023, outra cidade capixaba, Linhares, chegou a figurar no ranking, na 37ª posição, mas conseguiu reduzir os números no ano seguinte.

No Espírito Santo, os dados apontam uma piora no cenário. O número de estupros cresceu de 449, em 2023, para 478, em 2024 — um aumento de 6,5%. Já os casos de estupro de vulnerável saltaram de 1.404 para 1.853, uma alta de 32%. Com esses números, o Estado ocupa a 9ª posição no ranking nacional de crescimento de estupros e a 15ª no aumento de estupros de vulneráveis.

No total, foram quase 2.400 casos de violência sexual registrados no Estado apenas em 2024. A maior parte das vítimas são mulheres e meninas: 414 dos 478 estupros registrados envolveram vítimas do sexo feminino. Já entre os casos de estupro de vulnerável, 1.128 vítimas são meninas — um número ainda alto, apesar de representar uma leve queda em relação a 2023, quando foram 1.158.

Apesar do crescimento das ocorrências consumadas, houve queda nas tentativas de estupro no Espírito Santo. Foram 106 casos registrados em 2024, contra 123 em 2023 — uma redução de 14,4%. Em âmbito nacional, o movimento foi semelhante, com queda de 3,9% nas tentativas.

Perfil das vítimas

O Anuário também traz dados detalhados sobre o perfil das vítimas no país. Em 2024, 87,7% das vítimas de estupro no Brasil eram meninas e mulheres, contra 12,3% de meninos e homens. A maior concentração de vítimas está na faixa etária dos 10 aos 13 anos, que representa 42,1% dos casos de estupro de vulnerável. Crianças de 0 a 9 anos somam 36,5% dos casos — uma estatística alarmante que evidencia a vulnerabilidade dessa faixa etária.

O levantamento aponta que 61,3% das vítimas de estupro no país em 2024 tinham 13 anos ou menos — o que corresponde a 51.677 crianças.

Em relação à raça e cor, a maioria das vítimas é composta por pessoas negras (55,6%). Brancos representam 43,1%, indígenas 0,9% e amarelos 0,4%.

Onde e por quem os crimes acontecem

Outro ponto preocupante revelado pelo estudo é o local das agressões: mais da metade dos casos acontecem dentro da residência das vítimas. Esse dado reforça a dificuldade de denunciar os crimes, que muitas vezes ocorrem em ambientes de suposta proteção.

A relação entre vítima e agressor também chama atenção. Entre as vítimas de 0 a 13 anos, 59,5% são violentadas por algum familiar direto. Já entre adolescentes e adultos (com 14 anos ou mais), essa proporção cai para 26,6%. Ainda assim, a violência dentro do núcleo familiar continua sendo predominante. Além disso, 24,4% das crianças são agredidas por “outros conhecidos”, enquanto entre os mais velhos esse índice é de 14,5%.

Já os companheiros aparecem como autores em 26,7% dos casos envolvendo vítimas com 14 anos ou mais. Em relação a agressores desconhecidos, eles são responsáveis por 16,1% das violações contra crianças e 21,7% dos crimes contra adolescentes e adultos.

Ausência de respostas

A reportagem procurou a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) e a Prefeitura de Cariacica para comentar os dados e apresentar eventuais ações de prevenção à violência sexual, especialmente diante do aumento de casos e do destaque negativo de Cariacica no ranking nacional. No entanto, até a publicação desta matéria, os órgãos não haviam se manifestado. O espaço segue aberto para esclarecimentos.

Notícias Recentes