Compartilhe

Exposição no Mucane destaca vozes quilombolas e a força da memória como resistência

Rasgando o Silêncio: Vozes da Resistência

O Museu Capixaba do Negro “Verônica da Pas” (Mucane) abre, a partir da próxima terça-feira (10), a exposição “Rasgando o Silêncio: Vozes da Resistência”, que propõe um mergulho sensível nas memórias, narrativas e expressões culturais dos territórios quilombolas do Espírito Santo. A mostra reúne imagens, versos, vozes e gestos que transformam vivências educativas em arte e reafirmam a resistência como elemento contínuo da história negra capixaba.

O projeto nasce do encontro entre escola pública, juventudes e comunidades quilombolas, reconhecendo estudantes e territórios tradicionais como produtores legítimos de conhecimento, memória e criação artística. “O projeto nasce do encontro entre escola pública, juventudes e territórios quilombolas, reconhecendo estudantes e comunidades como produtores legítimos de conhecimento, memória e arte”, destaca o curador e orientador Luciano Tasso.

Todo o trabalho apresentado é resultado de uma vivência educativa realizada por estudantes junto a comunidades quilombolas da região do Sapê do Norte, além de visitas ao território quilombola Angelim 1 e ao Morro de São Benedito. A partir dessas experiências, foram produzidos poemas, fotografias, desenhos, pinturas, um curta-metragem e registros audiovisuais, que traduzem o aprendizado em narrativas de afeto, identidade e resistência.

Instalada no Mucane — espaço fundamental para a preservação, valorização e reconhecimento da memória afro no Brasil —, a exposição reafirma o museu como território de escuta, pertencimento e afirmação da história negra. Para o coordenador do espaço, Luiz Claudio dos Santos Pereira, a ocupação do museu amplia o diálogo com a cidade. “Ao ocupar o Centro de Vitória, as obras criam pontes entre escola pública, juventudes, comunidades tradicionais e o público em geral, rompendo silêncios históricos e reafirmando a presença quilombola como parte viva da formação social e cultural da região”, afirma.

A curadoria e orientação artística da exposição são assinadas por Luciano Tasso e Ana Rita Lustosa. A coordenação geral é de Tiago Vieira, com direção de Alessandra Trabach Gobetti Burini e coordenação pedagógica de Vagner de Souza. O projeto foi concebido e desenvolvido pela Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Hildebrando Lucas, com a colaboração de professores, estudantes, comunidades quilombolas e do Centro de Referência da Juventude (CRJ Território do Bem).

Mais do que uma exposição, “Rasgando o Silêncio: Vozes da Resistência” se apresenta como um gesto coletivo e político. “É um gesto ético, pedagógico e político. Ao ocupar o museu, essas vozes rompem silêncios históricos e afirmam que resistência não é exceção, é continuidade”, resume Tiago Vieira.

Funcionamento
A entrada é gratuita e a classificação indicativa é livre. O Mucane funciona de terça a sexta-feira, das 9 às 17 horas, e aos sábados, das 9 às 13 horas.

Notícias Recentes