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Falta de manutenção causou queda de parte da marquise do Sesc Glória em Vitória, aponta Crea-ES

A queda de parte da marquise do quarto andar do Centro Cultural Sesc Glória, em Vitória, foi provocada por falta de manutenção, segundo uma vistoria realizada pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo (Crea-ES), na segunda-feira (7). O incidente ocorreu na noite de domingo (6) e mobilizou a atenção das autoridades e da população que circula diariamente pela região central da cidade.

De acordo com a equipe técnica do Crea-ES, foi identificado um desplacamento de concreto em razão da corrosão da estrutura de aço da marquise e do acúmulo de água da chuva no local. A presença de aço exposto, que não recebeu o tratamento adequado ao longo dos anos, foi um dos principais fatores que comprometeram a integridade da estrutura.

O gerente de fiscalização do Crea-ES, engenheiro civil Leonardo Leal, explicou que a umidade e o contato com o oxigênio levaram à corrosão, que, por sua vez, aumentou o volume do aço e gerou trincas no concreto. “A água da chuva apenas antecipou o colapso de uma estrutura que já estava fragilizada. Foi um processo que poderia ter sido evitado com a manutenção adequada. Por isso, exigimos que o Sesc apresente um laudo de estabilidade, salubridade e habitabilidade em até três dias, além de indicar uma equipe de engenharia para iniciar os reparos”, detalhou o engenheiro.

Leal também esclareceu que a hipótese inicial de queda provocada por um raio foi descartada após a vistoria técnica. “Não há qualquer indício de descarga atmosférica. O que encontramos foi um quadro típico de deterioração por falta de manutenção”, reforçou.

Além do laudo técnico e da presença de engenheiros especializados, o Crea-ES determinou a instalação de um Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA), o popular para-raios, como medida preventiva adicional.

Como parte das medidas emergenciais, o Sesc Glória informou que já instalou uma manta de proteção na área afetada e isolou trechos ao redor do prédio para garantir a segurança de pedestres e veículos. A rua Marcelino Duarte, localizada na lateral do edifício e próxima à Avenida Jerônimo Monteiro, permanece interditada pela Guarda Municipal. Já a entrada pela Avenida Princesa Isabel segue liberada, permitindo o acesso à parte administrativa, cinemas e biblioteca do centro cultural.

Apesar do incidente, o Sesc informou que toda a programação cultural prevista para esta semana está mantida. A equipe de engenharia da instituição está trabalhando em conjunto com a prefeitura e o Crea para realizar os reparos e garantir a segurança estrutural do prédio, que é uma das edificações mais emblemáticas do centro da capital.

O Crea-ES aproveitou o caso para destacar a importância da inspeção predial anual, especialmente em estruturas mais antigas. “A marquise é uma estrutura opcional, mas a manutenção predial é obrigatória. Inspeções periódicas são fundamentais para evitar tragédias. Estruturas de concreto com aço exposto, quando mal conservadas, representam sérios riscos à vida e ao patrimônio”, alertou Leonardo Leal.

A situação serve de alerta para prédios históricos e demais edificações públicas ou privadas que requerem atenção constante com relação à segurança e conservação estrutural. O caso seguirá acompanhado pelos órgãos competentes, e novas atualizações devem ser divulgadas conforme os reparos avancem.

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