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Justiça decreta prisão de ex-servidor da Câmara Municipal de Rio Novo do Sul

O Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) decretou novamente a prisão preventiva do ex-servidor público da Câmara Municipal de Rio Novo do Sul, Leandro José Santos Santana, investigado pela Operação Sangria. A decisão foi tomada pela 2ª Câmara Criminal do TJES nesta quarta-feira (8), após recurso apresentado pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES).

A prisão de Leandro havia sido revogada anteriormente, e ele estava cumprindo medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica. No entanto, o MPES recorreu, argumentando que a liberdade do réu representava risco à ordem pública e à aplicação da lei penal.

O desembargador responsável pelo caso acatou o recurso, classificando a decisão anterior de soltura como “teratológica e manifestamente ilegal”. Em sua decisão, destacou a gravidade dos crimes cometidos, o elevado valor do prejuízo aos cofres públicos — superior a R$ 545 mil — e o fato de Leandro ter permanecido preso durante a fase de instrução processual.

O magistrado também ressaltou que o esquema investigado pela Operação Sangria envolvia manipulação de sistemas públicos, falsificação de documentos oficiais e desvio de verbas públicas, demonstrando o que chamou de “sofisticação e audácia” na atuação dos envolvidos.

De acordo com o MPES, Leandro se aproveitou de falhas no sistema financeiro da Câmara de Rio Novo do Sul para desviar recursos por meio de transferências para sua própria conta bancária. Ele também teria pago diárias duplicadas, adulterado folhas de pagamento, falsificado cheques e manipulado dados no sistema e no Portal da Transparência para ocultar os desvios.

Com a nova decisão, o TJES restabeleceu a prisão preventiva e determinou a expedição de mandado, que foi cumprido ainda na quarta-feira (8).

Operação Sangria
Deflagrada em março deste ano, a Operação Sangria teve como objetivo reunir provas sobre crimes contra a Administração Pública cometidos por servidores da Câmara de Rio Novo do Sul. Durante a ação, foram apreendidos computadores, celulares e documentos que reforçaram as evidências já colhidas pelo Ministério Público.

As investigações contaram com o apoio de 12 policiais, promotores de Justiça de Rio Novo do Sul e integrantes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Com base nas provas reunidas, o MPES denunciou três servidores pelos seguintes crimes:

  • Rodolpho Longue Dirr: associação criminosa, peculato e não repasse de contribuições à seguridade social;

  • Leandro José Santos Santana: associação criminosa, peculato, não repasse de contribuições à seguridade social, falsificação de documento público e peculato digital;

  • Daniel da Silva: associação criminosa e peculato.

O Ministério Público ainda pediu que os denunciados sejam condenados solidariamente à reparação dos danos causados aos cofres públicos, estimados até o momento em R$ 545.914,89, além de R$ 1.091.829,78 em indenização por danos morais coletivos.

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