
A mancha escura com forte odor registrada na Praia da Guarderia, em Vitória, nos primeiros meses deste ano, é resultado de uma combinação de fatores, incluindo esgoto irregular e proliferação de microalgas. A conclusão consta em avaliação preliminar do Grupo de Trabalho da Mancha na Guarderia.
A análise foi consolidada em nota técnica aprovada na última segunda-feira (27), na sede do Ministério Público do Estado do Espírito Santo, com base em cinco campanhas de monitoramento microbiológico realizadas entre março e abril.
Falha operacional contribuiu para o problema
Segundo o documento, um dos fatores determinantes foi a paralisação temporária da bomba de tempo seco da Estação de Bombeamento de Águas Pluviais (EBAP), entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026.
A interrupção comprometeu o bloqueio da entrada de esgoto irregular conectado à rede de drenagem pluvial, favorecendo a chegada de poluentes ao mar.
Área imprópria para banho
Com base nos resultados preliminares, o grupo classificou como imprópria para banho a área no entorno da manilha de drenagem localizada na faixa de areia, ponto onde a rede pluvial deságua no mar.
De acordo com a avaliação, o local apresenta riscos à saúde pública devido à variação dos índices microbiológicos e ao histórico de degradação ambiental. Entre os fatores apontados estão:
- ligações clandestinas de esgoto na rede de drenagem;
- recorrência de contaminação ambiental;
- existência de uma fonte ativa de poluição, que inviabiliza a balneabilidade.
Região da Curva da Jurema também preocupa
Outro ponto considerado sensível fica próximo aos quiosques da Curva da Jurema. Identificado como ponto 14 no monitoramento, o local apresenta indícios de contaminação recorrente, ainda sem origem totalmente definida.
Segundo o grupo técnico, será necessário aprofundar as investigações para identificar possíveis fontes clandestinas de poluição na região.
Além dos fatores locais, o estudo também aponta a influência de esgoto proveniente de outros municípios da Região Metropolitana e condições ambientais que favorecem o crescimento de microalgas como elementos que contribuem para o fenômeno observado.
Redação ES em Rede – 30/04/2026





