
Uma mulher de 41 anos morreu neste sábado (13) após passar sete dias internada com queimaduras de segundo grau em quase todo o corpo. Maria Aparecida Moreira de Souza sofreu as lesões no último dia 6, dentro de casa, em Ecoporanga, na região Noroeste do Espírito Santo. A versão inicial, apresentada por ela e pelo companheiro, foi de que se tratava de um acidente doméstico. No entanto, familiares levantam suspeitas de que o caso esteja relacionado a um histórico de violência sofrida pela vítima.
Segundo a Polícia Civil, as circunstâncias do episódio estão sendo investigadas pela Delegacia de Polícia de Ecoporanga.
Maria Aparecida foi sepultada neste domingo (14), no Cemitério de Maruípe, em Vitória. O enterro foi marcado por forte comoção. A mãe da vítima passou mal e desmaiou ao não conseguir acompanhar o sepultamento. Maria Aparecida deixa dois filhos adolescentes.
O dia do acidente
De acordo com a Polícia Militar, no dia 6 de setembro, ao dar entrada no hospital de Ecoporanga, a vítima contou que estava fumando um cigarro próximo a uma embalagem com gasolina quando o líquido inflamou e atingiu seu corpo.
O companheiro dela também apresentava queimaduras nos braços e disse que se feriu ao tentar ajudar. Ele a levou ao hospital, mas teria demonstrado resistência ao atendimento médico quando também precisou de cuidados. Segundo os militares, chegou a retirar os curativos por conta própria e saiu da unidade, mas acabou sendo localizado e concordou em retornar ao hospital.
Diante da gravidade das queimaduras, Maria Aparecida foi transferida para o Hospital Estadual Dr. Jayme dos Santos Neves, na Serra, referência no tratamento de vítimas de queimaduras no Espírito Santo.
Denúncias anteriores de violência
Parentes afirmam que Maria Aparecida já vinha sofrendo violência do companheiro, com quem estava havia cerca de um ano. Eles relataram que, em julho, a mulher foi esfaqueada no braço. A família registrou um Boletim de Ocorrência por sequestro e cárcere privado após receber uma foto que mostrava o ferimento.
Um dos familiares, que preferiu não se identificar, afirmou que a mulher era mantida sob ameaças constantes. “Ele cortou o braço dela, mandou uma foto e disse que aquilo era só o começo. Depois, continuou ameaçando. Até disse que já tinha sido pistoleiro. A gente não acredita nessa história do cigarro”, relatou.
Investigação em andamento
A Polícia Científica informou que o corpo foi recolhido por volta das 15h30 de sábado (13) e levado ao Instituto Médico Legal (IML) de Vitória, onde passou por exames cadavéricos antes de ser liberado à família.
Questionadas se o companheiro já tinha registros de violência doméstica e se o caso está sendo investigado como feminicídio, as polícias Civil e Militar não confirmaram detalhes. A Polícia Civil reforçou apenas que o inquérito está em andamento.





