
Um ataque a tiros motivado por uma disputa interna no tráfico terminou com duas pessoas mortas e uma terceira baleada em uma obra de Viana. Mais de dois anos após o crime, a Polícia Civil concluiu a investigação e identificou três envolvidos no assassinato do ajudante de pedreiro Maciel Oliveira de Souza, o Cara de Paca, e do pastor Tiago Carlotti, morto mesmo sem ter qualquer envolvimento com o crime.
O crime aconteceu na manhã de 23 de julho de 2024, no bairro Areinha. Maciel, de 29 anos, e Tiago, de 35, trabalhavam em uma obra quando foram surpreendidos pelos atiradores. Um jovem de 24 anos que estava no local também foi atingido, mas sobreviveu.
Segundo a investigação, Maciel era o principal alvo do ataque por manter contato com Marcelinho do Vale do Sol, apontado como uma liderança do Primeiro Comando de Vitória (PCV). Mesmo preso, Marcelinho continuava recebendo informações sobre o tráfico na região por meio de Maciel, situação que teria desagradado integrantes que assumiram o comando do grupo após uma disputa interna.
Tiago não tinha antecedentes criminais e, segundo a Polícia Civil, desenvolvia um trabalho de reinserção social para ajudar pessoas envolvidas com o tráfico e usuários de drogas. A investigação concluiu que o pastor foi morto para evitar que pudesse identificar os responsáveis pelo ataque.
Três homens foram apontados como participantes diretos do crime. Jefferson França Gonçalves de Souza, conhecido como Dumbo, de 29 anos, teria dirigido o veículo usado para levar os executores até a obra. Gabriel Lima Pires dos Santos, o Boquella ou Sombra, e Arthur Mauricio Pinto, conhecido como Jhon ou Xará, ambos de 21 anos na época, foram identificados como os responsáveis pelos disparos.
Jefferson já estava preso por outros crimes quando novas evidências ligaram o suspeito ao ataque. A Polícia Civil solicitou a prisão preventiva dele também pelo duplo homicídio e pela tentativa de homicídio, e a ordem foi cumprida na semana passada. Durante o interrogatório, ele permaneceu em silêncio.
Os outros dois envolvidos apontados como executores morreram meses depois do crime. Gabriel foi assassinado a tiros em 2 de janeiro de 2025, em Soteco, Viana. Arthur foi morto no dia 17 do mesmo mês, em Central Carapina, na Serra. Segundo a Polícia Civil, os dois homicídios também estão relacionados à disputa entre grupos criminosos.
A identificação dos envolvidos contou com depoimentos de testemunhas e informações obtidas por meio do cerco eletrônico, que ajudaram os investigadores a localizar o veículo usado no ataque. A investigação não conseguiu, porém, apontar quem teria ordenado o assassinato.





