
Com tarifas de até 50% impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, o prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo, articulou um movimento com o setor produtivo capixaba para propor medidas emergenciais e estruturantes que ajudem a reduzir os impactos da decisão nos âmbitos estadual e federal. O tarifaço ameaça a economia do Espírito Santo, atingindo exportações, comércio, empregos e renda em diversos municípios.
As sete propostas elaboradas pelo grupo foram entregues ao governador Renato Casagrande na sexta-feira (8), durante a inauguração da Unidade Básica de Saúde de Rio Marinho.
“Estamos comprometidos com a construção de soluções por meio do diálogo contínuo com entidades representativas e os principais atores da cadeia produtiva. Propomos, de forma colaborativa, uma agenda de medidas emergenciais e estruturantes, voltadas não apenas à mitigação dos impactos imediatos, mas também à transformação da crise em oportunidade – especialmente para os exportadores capixabas”, afirmou Arnaldinho.
As medidas foram formuladas com participação do Sindicato do Comércio de Exportação e Importação do Estado do Espírito Santo (Sindiex), Vports – administradora do complexo portuário capixaba –, Sindicato das Indústrias de Rochas Ornamentais, Cal e Calcário do Espírito Santo (Sindirochas), Centro Brasileiro dos Exportadores de Rochas Ornamentais (CentroRochas), Centro do Comércio do Café, Associação de Empresários de Vila Velha (Assevila), Associação Brasileira do Gengibre e da empresa Futura Inteligência.
A mobilização começou na terça-feira (5), com a Primeira Reunião de Acompanhamento do Cenário Econômico, realizada na sede da Prefeitura e conduzida pelo prefeito, com participação do secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Everaldo Colodetti, e de representantes do setor exportador.
Impacto no setor agrícola
Apesar de setores como minério de ferro, petróleo e celulose estarem fora da nova taxação norte-americana, produtos de relevância para a economia capixaba, como café, mamão e gengibre, foram diretamente atingidos. Para o setor, a medida, de caráter protecionista, ameaça mercados parceiros e compromete cadeias produtivas consolidadas, colocando em risco a renda de centenas de produtores e exportadores locais.
As sete propostas entregues ao Governo do Estado:
Revisão das regras tributárias regionais para os setores exportadores afetados, com uso de instrumentos como crédito presumido, diferimentos e políticas de fomento.
Agilização do uso de créditos tributários acumulados, permitindo a utilização como garantia ou amortização de dívidas junto a instituições financeiras.
Criação de linhas de crédito emergencial, com juros subsidiados, por meio dos bancos estaduais.
Suspensão temporária, de até 180 dias, para empresas atingidas, no cumprimento de obrigações financeiras estaduais e termos de refinanciamento.
Interlocução com o Governo Federal para adoção de medidas trabalhistas e fiscais que protejam a atividade econômica e os empregos.
Desenvolvimento de soluções logísticas integradas para o escoamento da produção capixaba, com foco em rochas ornamentais, café, celulose, ferro, aço e derivados.
Revisão e flexibilização das alíquotas de importação para máquinas, equipamentos e insumos industriais não produzidos no Brasil ou com tecnologia defasada.
Operações portuárias e papel municipal
Arnaldinho ressaltou que, embora políticas macroeconômicas sejam definidas em Brasília, os impactos são sentidos nas cidades. Vila Velha concentra mais de 90% das operações da Vports e, segundo o IPC Maps, é o maior mercado consumidor do Estado, o que torna o município particularmente vulnerável a quedas na atividade exportadora.
“As políticas macroeconômicas são formuladas em Brasília, mas é nas cidades que os impactos são sentidos de forma mais dura. Cabe a nós agir com responsabilidade, ouvindo o setor produtivo e cobrando soluções para proteger nossa economia”, afirmou.





