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Pressão de multinacional reacende debate sobre manipulação da tirzepatida no Brasil

A intensificação da pressão de uma grande multinacional farmacêutica contra a manipulação da tirzepatida em farmácias de manipulação estéril reacendeu o debate sobre acesso a medicamentos, regulação sanitária e interesses comerciais no Brasil. A empresa, detentora do registro de medicamentos industrializados à base da substância, tem atuado junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para tentar restringir a fabricação, importação, manipulação, comercialização e prescrição de versões magistrais do fármaco.

Entidades ligadas ao setor magistral e especialistas avaliam que as críticas à manipulação regulada não se sustentam em evidências científicas robustas quando o processo é realizado dentro das normas sanitárias vigentes. O entendimento é de que, ao seguir rigorosamente os protocolos exigidos pela Anvisa, a manipulação não apresenta riscos adicionais comprovados em relação ao produto industrializado.

Do ponto de vista legal, a manipulação de medicamentos no Brasil possui respaldo na legislação, especialmente na Lei nº 9.279/1996, que autoriza a preparação de fórmulas individualizadas mediante prescrição médica, desde que realizadas por profissionais habilitados e em estabelecimentos devidamente regularizados. Notas técnicas recentes da própria Anvisa também reconhecem a legalidade da importação, manipulação e prescrição da tirzepatida, condicionadas ao cumprimento de exigências rigorosas de qualidade, rastreabilidade e controle sanitário.

Outro ponto que tem sido levantado por representantes do setor é a limitação da capacidade produtiva da indústria para atender integralmente à demanda nacional pelo medicamento. Esse cenário reforça o papel das farmácias de manipulação estéril na ampliação do acesso ao tratamento, especialmente em situações de desabastecimento, alto custo do produto industrializado ou necessidade de ajustes individualizados de dosagem.

Há ainda preocupação com os impactos de uma eventual proibição da manipulação legal. Especialistas alertam que a restrição não eliminaria a procura pelo medicamento, mas poderia impulsionar o crescimento do mercado clandestino e do contrabando, com entrada irregular da substância no país sem qualquer controle sanitário, ampliando os riscos à saúde pública.

Nesse contexto, a defesa majoritária do setor não é pela flexibilização das regras, mas pelo fortalecimento da fiscalização. A avaliação é de que a Anvisa deve intensificar o controle sobre toda a cadeia de produção e distribuição de insumos farmacêuticos, punindo com rigor eventuais irregularidades, sem comprometer a atuação de estabelecimentos que operam dentro da legalidade.

Entidades técnicas, como a Associação Nacional Magistral de Estéreis (ANME), têm se manifestado nesse debate, reforçando a importância do setor magistral estéril no sistema de saúde brasileiro. O entendimento é de que essas farmácias cumprem um papel estratégico ao oferecer terapias personalizadas, com tecnologia e segurança, atendendo milhões de pacientes em todo o país.

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