
O tratamento hospitalar afeta a vida de crianças e adolescentes de diversas formas além da doença em si. A internação os distancia do convívio com amigos, familiares e do ambiente escolar. No entanto, um projeto no Espírito Santo busca garantir a continuidade dos estudos desses jovens, mesmo quando estão hospitalizados e longe da escola.
De acordo com a Secretaria Estadual de Educação (Sedu), 476 estudantes dos ensinos fundamental II e médio são atendidos pelo Atendimento Educacional em Regime Hospitalar, por meio do projeto Classe Hospitalar. A iniciativa contempla estudantes das redes estadual, municipal e privada em hospitais da Grande Vitória. O conteúdo abordado acompanha o calendário, o currículo e o histórico escolar dos alunos, garantindo que, ao retornarem às aulas presenciais, estejam atualizados com as disciplinas.
No hospital, as crianças são acolhidas por uma equipe do projeto, que avalia os conteúdos a serem trabalhados conforme a rotina escolar atual de cada estudante. Atualmente, o Classe Hospitalar está em funcionamento no Hospital Infantil Nossa Senhora da Glória, em Vitória, desde 2004, e no Hospital Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba), em Vila Velha.
Segundo a pedagoga do projeto, Sabrina Matias, diversos fatores são considerados para a distribuição dos professores, como idade do paciente, tempo de internação e motivo do tratamento. “Se o paciente está no Centro de Tratamento de Queimados ou em tratamento oncológico, tudo isso é levado em conta”, explicou.
Para a professora Alessandra André, o desafio é atuar como um elo entre o paciente, a escola e o mundo exterior. “Nosso papel é trazer um pouco de normalidade e atender às expectativas deles, porque são crianças e adolescentes”, afirmou.
O estudante Otto Soares, do 7º ano, vivenciou essa experiência durante o tratamento contra o câncer no Hospital Nossa Senhora da Glória. Em suas aulas de história e arte, teve a oportunidade de explorar aspectos de sua ancestralidade. Para sua mãe, Simone Soares, o projeto proporcionou conforto durante o período de internação. “Criamos vínculos com as professoras, compartilhamos nossas dores. Foi um momento especial de aprendizado para eles e para nós”, desabafou.
A professora Danielly Almeida destacou o orgulho em acompanhar o desenvolvimento dos alunos. “Ver o crescimento deles e a realização de seus sonhos nos traz muita alegria”, disse. Já o diretor-geral do HINSG, Clio Venturim, ressaltou a importância da humanização proporcionada pelo projeto. “Esse trabalho traz a rotina do paciente para o hospital e contribui até mesmo para o tratamento”, pontuou.
Giovanne Berger, gerente de educação especial da Sedu, enfatizou que o projeto também assegura os direitos dos pacientes. “Trabalhamos não apenas com educação, mas também com saúde, assistência e direitos humanos. Garantimos esses direitos previstos em lei”, afirmou.
O projeto é fruto de uma parceria entre as secretarias de Educação e de Saúde, além dos hospitais onde as aulas são ministradas, contando com a atuação de professores especializados em educação hospitalar. Esses profissionais adaptam os conteúdos conforme a faixa etária e as necessidades de cada estudante. O atendimento pela Classe Hospitalar geralmente se inicia a partir do 16º dia de internação.
Segundo a Sedu, estudos indicam que a continuidade dos estudos durante o tratamento hospitalar favorece o bem-estar emocional e acelera a recuperação. “A rotina de estudos proporciona momentos de distração e socialização, além de manter a mente ativa e estimulada”, destacou a secretaria em nota.





