Segundo os números da última pesquisa divulgada pelo Datafolha, 76% dos brasileiros afirmaram apoiar Lula ou Bolsonaro, um aumento de 6% em relação à última pesquisa, que registrou 70% no início do primeiro semestre deste ano. Desses 76%, 39% se declaram petistas e 37% bolsonaristas, um empate técnico, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais.
Esses dados chamam atenção, especialmente para quem vai disputar as vagas majoritárias, diante do crescimento da tensão entre direita e esquerda e, mais especificamente, entre Lula e Bolsonaro. Ou seja, conforme os números, petistas e bolsonaristas já entram na disputa com uma perda de cerca de 40%, pois quem vota em Lula dificilmente vota em Bolsonaro e vice-versa.
Dessa forma, os dois lados precisarão disputar os 20% que restam fora da polarização, um caminho estreito que pode levar as eleições majoritárias a um cenário mais criterioso, baseado na análise de currículo e perfil, o que vai exigir dos postulantes autenticidade, criatividade e propostas objetivas.
A direita já adiantou suas bandeiras, como a pauta da anistia e o impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. Já a esquerda enfrenta o gigantesco desafio de equilibrar a economia e convencer os brasileiros a optar pela continuidade do seu projeto. Os outros 20% assistirão a esse engalfinhamento e tendem a decidir nas últimas semanas da eleição, como aconteceu nos pleitos anteriores.
Com isso, mais uma vez, as redes sociais serão determinantes para aproximar candidatos e eleitores, numa guerra de imagem e narrativas que beira a passionalidade política, reflexos da polarização que reduz o espaço para a chamada “eleição personal”. Obviamente, a composição e o pragmatismo ainda terão enorme relevância, mas, usando o linguajar da geração Z, o risco de “cancelamento” para ambos é muito maior, apesar da convencionalidade de parte do eleitorado brasileiro.
Portanto, esta eleição caminha para ser um processo analítico, no qual um dos principais critérios será o perfil dos candidatos, perpassando sua posição política entre direita ou esquerda, particularmente para as duas vagas ao Senado Federal, nas quais o eleitor poderá escolher dois nomes.
A corrida já começou, a construção e a desconstrução seguem a todo vapor, uns remando bravamente contra as correntezas da repetição, outros conduzindo o forte vento contra quem ousa atravessar o revolto mar do poder.
PS: A pesquisa Datafolha foi realizada nos dias 29 e 30 de julho, com 2.004 entrevistas presenciais em 230 municípios do país.





