
Uma servidora comissionada da Câmara Municipal de Itaguaçu, no Noroeste do Espírito Santo, foi presa em flagrante dentro da sede do Legislativo, na quarta-feira (17), suspeita de desviar recursos públicos. Vilma Maria do Rosário Manhani, diretora contábil da Casa há mais de dez anos, é acusada de realizar transferências irregulares para a própria conta bancária. Após a prisão, ela foi exonerada do cargo.
Segundo a Polícia Civil, um levantamento preliminar identificou movimentações suspeitas que somam cerca de R$ 71 mil apenas nos últimos três meses. O delegado Renan Alves dos Santos, titular da Delegacia de Itaguaçu, não descarta que o rombo seja maior, já que Vilma acumulava funções estratégicas na área de contabilidade e pagamentos havia mais de uma década.
Investigação começou após servidor cobrar acesso a contas
O caso veio à tona depois que um servidor efetivo tomou posse e não conseguiu acesso às senhas das contas do Legislativo. Ele pediu diversas vezes a liberação dos dados à diretora contábil, mas não obteve retorno.
“Ele queria se inteirar do serviço e ela, que concentrava todas as atividades de contabilidade e pagamentos, não fornecia a senha. Isso gerou um problema interno na Câmara. O servidor era novo, queria trabalhar e estava sem condições. Isso foi escalando até que chegou a um ponto de o presidente da Câmara e um servidor irem até o banco conferir como estava o saldo”, explicou o delegado.
No banco, o presidente da Câmara, Cristian Casagrande (Podemos), solicitou extratos e constatou diversas transferências para a conta pessoal de Vilma, incluindo uma realizada na terça-feira (16). A movimentação serviu de base para o pedido de prisão em flagrante.
Câmara diz ter sido surpreendida
O assessor jurídico do Legislativo, Enoc Joaquim da Silva, afirmou que Vilma tinha a confiança de todos por já ter passado por várias gestões.
“Ela lidava com empenhos, pagamentos, liquidações, era responsável por todo o processo contábil da Casa. Pelo tempo que estava na função, tinha a confiança de todos. Passou por várias gestões, várias presidências, ninguém esperava. Fomos todos surpreendidos”, disse.
Em nota oficial divulgada nesta quinta-feira (18), a Câmara ressaltou que está colaborando com a investigação e que instaurará procedimento administrativo para apurar internamente as irregularidades.
“É fundamental assegurar à população itaguaçuense que todas as apurações devidas, tanto no âmbito externo, conduzidas pela Polícia Civil, quanto internamente, serão realizadas com o máximo rigor, transparência e imparcialidade”, destacou o comunicado.
Prisão durante curso sobre fiscalização de contas públicas
Um detalhe chamou a atenção do delegado responsável: no momento da prisão, ocorria na Câmara um curso sobre controle de gastos públicos e boas práticas de fiscalização, do qual Vilma participava. A abordagem policial foi feita sem alarde, e a servidora não resistiu.
Após o flagrante, ela foi levada para a Penitenciária de Colatina. Vilma não prestou depoimento à polícia.
Defesa pede liberdade
O advogado Raphael Petronetto, que assumiu a defesa, afirmou que pedirá a liberdade da cliente na audiência de custódia marcada para a manhã desta sexta-feira (19).
Segundo ele, Vilma é ré primária, tem endereço fixo e não representaria risco ao processo. Petronetto acrescentou que ainda não conversou com a servidora para definir a estratégia de defesa, mas relatou que familiares ficaram surpresos com a acusação e garantiram que não houve mudança no padrão de vida da família.
A Polícia Civil dará continuidade às investigações para identificar se houve participação de outras pessoas e o valor total do desvio.





