Levar animais de estimação para passeios, consultas veterinárias ou viagens faz parte da rotina de muitos tutores. No entanto, o transporte inadequado dos pets dentro dos veículos pode representar riscos à segurança dos próprios animais, dos ocupantes do carro e até de terceiros no trânsito.
Embora o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) não proíba completamente o transporte de animais soltos no banco traseiro, especialistas alertam que determinadas situações podem configurar infrações de trânsito, além de aumentar significativamente o risco de acidentes.
“Em relação às penalidades, devemos analisar o contexto e a dinâmica desse transporte”, explicou o inspetor Nunes, da Guarda Municipal de Vila Velha. “Um exemplo que o Código de Trânsito Brasileiro traz é o transporte de animais no colo, entre as pernas ou do condutor esquerdo do condutor. Nesses locais, o animal não pode ser transportado, pois configura infração de natureza média”, completa.
Além das penalidades, a prática representa um risco à condução do veículo. Em casos de frenagens bruscas, colisões ou manobras repentinas, o animal pode ser arremessado, causando ferimentos tanto nele quanto nos demais ocupantes.
Imagens frequentemente compartilhadas nas redes sociais mostram cães colocando a cabeça para fora da janela do carro ou circulando livremente pelo interior do veículo. Apesar de parecerem situações inofensivas ou divertidas, especialistas alertam que o comportamento pode esconder perigos. Em situações mais graves, animais de grande porte podem até quebrar vidros ou escapar do veículo em movimento.
A discussão também envolve o bem-estar animal. A veterinária Bárbara Eller ressaltou que transportar o pet de maneira inadequada pode ser interpretado como negligência e, dependendo do caso, até maus-tratos. “A questão de bem-estar animal é uma pauta que está em alta. E quando se conduz o animal corretamente, você está promovendo o bem-estar desse animal”, disse a veterinária.
Ainda segundo a doutora Bárbara, as consequências de acidentes envolvendo pets podem ser severas. “Eles podem ter múltiplos traumas como hemorragia interna – muitas vezes, não tão visível para o tutor. Eles também podem ter alguma luxação simples, até mesmo traumatismo craniano levando esses animais a óbito”.
Os valores das multas previstas no Código de Trânsito variam conforme a infração e podem ir de R$ 53,20 até R$ 195,23, dependendo da gravidade da irregularidade.
Especialistas recomendam o uso de equipamentos adequados, como caixas de transporte, cintos de segurança específicos para pets ou grades de proteção, especialmente em viagens mais longas ou no transporte de animais de médio e grande porte.
A orientação é que os tutores tratem o transporte do pet com o mesmo cuidado destinado aos demais passageiros. Afinal, garantir a segurança do animal também significa proteger todos que compartilham o trajeto.
“Atualmente, os pets são considerados membros da família. O transporte correto não protege apenas a vida do animal, mas também a do tutor, da família e de outras pessoas que possam estar envolvidas em um acidente”, reforça Bárbara.





