Quando tinha apenas 24 anos, a treinadora de ginástica rítmica Gizela Batista teve a vida transformada por um acidente vascular cerebral (AVC). O episódio ocorreu de forma repentina, em meio à rotina intensa de trabalho e preparação de atletas para competições. “Eu estava trabalhando, montando uma série para uma menina competir, e de repente não consegui mais falar”, relembra.
Gizela sempre teve uma trajetória ligada ao esporte de alto rendimento. Integra a seleção brasileira de ginástica rítmica, disputou campeonatos regionais, brasileiros, pan-americanos e mundiais, acumulando títulos ao longo da carreira. Após encerrar a fase como atleta, tornou-se treinadora, até ser surpreendida pelo AVC, em um dos momentos mais delicados de sua vida.
As sequelas foram significativas. Segundo Gizela, ela ficou cerca de dois meses sem conseguir falar e precisou reaprender a se comunicar, começando pelas vogais e, aos poucos, formando palavras e frases. O processo de reabilitação incluiu sessões diárias de fonoaudiologia e exigiu paciência e persistência. “Aprendi a falar como uma criança, passo a passo”, conta.
Dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) mostram a gravidade do problema no Espírito Santo. Entre janeiro e agosto deste ano, mais de 900 pessoas morreram em decorrência de AVC no estado. No mesmo período de 2024, foram registradas 998 mortes. Os números reforçam a necessidade de atenção constante à prevenção e ao diagnóstico precoce da doença.
De acordo com a médica neurologista Vanessa Loyola, o AVC é uma condição extremamente frequente e considerada uma epidemia. “Uma a cada quatro pessoas vai ter um AVC ao longo da vida. É uma doença muito comum e mata uma pessoa a cada seis minutos”, alerta.
Entre os principais fatores de risco estão hipertensão arterial, sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de bebidas alcoólicas e uso de substâncias estimulantes. Segundo a especialista, esses hábitos comprometem a saúde das artérias, responsáveis por levar sangue a todo o corpo, inclusive ao cérebro.
Os sinais de alerta mais comuns incluem fraqueza súbita em um lado do corpo, desvio da boca, dificuldade repentina para falar ou compreender, além de tontura e vertigem. Diante de qualquer um desses sintomas, a recomendação é procurar atendimento médico imediato.
Para prevenir o AVC, a orientação médica é clara: controlar a pressão arterial e o diabetes, manter uma vida ativa, evitar substâncias nocivas e adotar hábitos saudáveis. “Essas medidas podem prevenir mais de 50% dos casos”, destaca a neurologista.
A médica relata ainda que atende diariamente pacientes com AVC e traz um exemplo pessoal para reforçar o alerta. O avô dela morreu em consequência da doença após ignorar orientações médicas e não cuidar da saúde, comportamento que, segundo ela, é comum entre muitos pacientes.
Hoje, Gizela leva uma vida normal, realiza exames periódicos e mantém os cuidados necessários. O AVC que sofreu foi do tipo isquêmico, também conhecido como derrame, causado pelo bloqueio de uma artéria que leva sangue ao cérebro, geralmente por um coágulo ou placa de gordura.
Após o susto, ela resume a experiência em poucas palavras: “É vida nova. Existe um antes e um depois”. A história de superação se transforma em alerta e inspiração sobre a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do cuidado contínuo com a saúde.

