Teve início na última quarta-feira (04) mais um período da chamada “andada” do caranguejo-uçá, fase reprodutiva da espécie em que ficam proibidas atividades de captura, transporte, armazenamento e comercialização do crustáceo. A restrição segue até a próxima segunda-feira (09) e faz parte das medidas de preservação ambiental adotadas durante o ciclo de reprodução do animal.
O caranguejo-uçá, cientificamente conhecido como Ucides cordatus, é uma espécie típica de áreas de manguezal e possui papel importante tanto para o equilíbrio ambiental quanto para a subsistência de comunidades que vivem da pesca artesanal.
Especialistas explicam que a proteção durante o período de “andada” é fundamental para garantir a continuidade da espécie. Nessa fase, os caranguejos deixam suas tocas e se deslocam pelo manguezal para acasalamento, o que os torna mais vulneráveis à captura.
Além de ser fonte de renda para muitas famílias, o animal também exerce função essencial no ecossistema do manguezal. Ao cavar buracos no solo, os caranguejos ajudam na oxigenação do sedimento, processo que favorece a circulação de nutrientes e contribui para a saúde ambiental dessas áreas.
O crustáceo também integra a base da cadeia alimentar de diversas espécies que habitam os manguezais. Por isso, a captura excessiva durante a fase reprodutiva pode comprometer a reposição natural da população e afetar o equilíbrio do ecossistema.
De acordo com especialistas, a retirada indiscriminada do caranguejo durante a “andada” reduz a capacidade de reprodução da espécie. Com o tempo, isso pode levar à diminuição dos estoques pesqueiros e gerar impactos tanto ambientais quanto socioeconômicos para comunidades que dependem da atividade.
A orientação de preservação também tem sido seguida por estabelecimentos comerciais. Restaurantes conhecidos por oferecer pratos à base de caranguejo costumam retirar o item do cardápio durante o período de defeso, retomando a oferta somente após o fim da fase reprodutiva.
A medida busca colaborar com a conservação da espécie e garantir que a atividade de captura continue sendo sustentável nos próximos anos.





