A Câmara Municipal de Vila Velha promoveu um debate sobre inclusão e acessibilidade em alusão ao Dia Internacional do Implante Coclear. A roda de conversa reuniu especialistas, usuários do dispositivo e representantes da sociedade civil para discutir os desafios enfrentados por pessoas com deficiência auditiva e ampliar a conscientização sobre o tema.
Realizado no plenário da Casa de Leis, o encontro destacou as dificuldades enfrentadas por surdos oralizados e reforçou que a inclusão social vai além do acesso ao implante. Participantes do debate defenderam maior atenção do poder público às políticas de inclusão e aos direitos das pessoas com deficiência.
Durante o evento, foi ressaltada a importância do diagnóstico precoce da perda auditiva. Segundo especialistas, o acompanhamento deve começar ainda nos primeiros dias de vida, com a realização do chamado teste da orelhinha nas maternidades. Avaliações posteriores também são recomendadas ao longo do desenvolvimento da criança para garantir a identificação rápida de possíveis problemas auditivos.
O implante coclear é um dispositivo eletrônico que estimula diretamente o nervo auditivo, permitindo a percepção sonora em pessoas com perda auditiva severa ou profunda. No entanto, profissionais da área ressaltaram que o sucesso do tratamento depende de uma série de etapas além da cirurgia, incluindo reabilitação auditiva, acompanhamento médico e suporte educacional.
A discussão contou ainda com a participação de representantes da PASSODIA, associação que atua há mais de uma década no apoio a pessoas surdas oralizadas. A entidade trabalha tanto com usuários de implante coclear quanto com pessoas que utilizam a língua de sinais, promovendo ações de inclusão, informação e apoio às famílias.
Entre os relatos apresentados durante o encontro, o estudante Henrique Rates compartilhou sua experiência como usuário de implante coclear. Ele destacou que o diagnóstico precoce e o acompanhamento adequado foram fundamentais para sua trajetória acadêmica, que incluiu a passagem por escola regular, ensino superior e, atualmente, a atuação em um programa de mestrado na Universidade Federal de Sergipe.
A expectativa dos organizadores é que o debate contribua para ampliar o conhecimento da população sobre os direitos das pessoas com deficiência auditiva e incentive políticas públicas voltadas à acessibilidade e inclusão. Participantes reforçaram que o acesso à informação é um passo essencial para construir uma sociedade mais acolhedora e preparada para garantir qualidade de vida às pessoas com deficiência.





