De acordo com uma pesquisa divulgada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo (Fecomércio-ES), cerca de 70 mil pessoas conseguiram sair da inadimplência no estado.
Segundo a professora de educação financeira da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Patrícia Bortolon, a principal explicação para esse cenário positivo está na melhora do mercado de trabalho. “No Espírito Santo estamos com o nível de desemprego abaixo da média nacional. Temos aproximadamente 5% de desemprego no Brasil e no Espírito Santo estamos em 3%. Então as pessoas estão tendo acesso ao trabalho e renda e isso certamente ajuda a pagar as dívidas”, explicou Bortolon.
Apesar do avanço, Patrícia alerta que o estado ainda mantém um percentual de inadimplentes acima da média nacional, o que indica que o processo de recuperação financeira ainda enfrenta desafios.
O levantamento da Fecomércio-ES mostra que o percentual de famílias com contas em atraso caiu para 33,3% em agosto de 2025, uma redução de 1,7 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado é atribuído à melhora na renda das famílias e ao fortalecimento do mercado de trabalho, fatores que favorecem a reorganização financeira.
A pesquisa aponta ainda que famílias com renda de até 10 salários mínimos enfrentam mais dificuldades para sair da inadimplência e concentram percentuais acima da média nacional.
Mesmo com a queda no endividamento, o cartão de crédito segue como o principal responsável pelas dívidas das famílias capixabas. O meio de pagamento está presente em cerca de 90% dos lares e é considerado a forma mais cara de financiamento. Mais da metade das dívidas registradas possui atraso superior a 90 dias.
Especialistas alertam que muitos consumidores não percebem gastos excessivos, conhecidos como “gastos fantasmas”, o que dificulta o controle financeiro. A recomendação é manter organização, controle das despesas e criar uma reserva de emergência. Entre as orientações está separar parte da renda mensal, entre 10% e 20%, para poupança ou investimentos antes de realizar outros gastos, como forma de garantir maior estabilidade e saúde financeira.





