O que deveria ser apenas uma forma de lazer e passatempo tem se tornado motivo de preocupação no ambiente de trabalho. De acordo com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), cresce o número de afastamentos de trabalhadores por transtornos relacionados ao uso excessivo de jogos eletrônicos.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece, desde 2018, o vício em jogos digitais como um transtorno mental. Segundo o psiquiatra Rafael Mazzini, o problema é caracterizado quando o jogo passa a ocupar papel central na vida do indivíduo. “Percebe-se que começa a virar doença quando toma muitas partes da vida da pessoa. É como se a vida girasse em torno do jogo. A pessoa começa a se distanciar da família e amigos, tem prejuízos no trabalho, pessoal e social”, destaca o médico.
Entre os sintomas mais comuns estão ansiedade, depressão, insônia, isolamento e queda de produtividade. Em casos mais graves, o comportamento compulsivo e incontrolável pode gerar irresponsabilidade com compromissos profissionais e pessoais.
O tratamento pode envolver acompanhamento psicológico e psiquiátrico, além de uso de medicação. No entanto, Mazzini reforça que a busca por ajuda deve ser precoce. “Muitas vezes, a pessoa não reconhece aquilo como patológico e quando procura ajuda, o problema já está bem avançado”, alerta.
O debate sobre o uso saudável da tecnologia e o incentivo ao equilíbrio entre vida profissional e pessoal no ambiente corporativo têm ganhado espaço, diante do avanço de casos que transformam o lazer em risco à saúde mental e ao desempenho no trabalho.





