
Vitória é atualmente a capital brasileira com maior percentual de população na Classe A, com 9,5% dos moradores recebendo salários acima de R$ 25 mil mensais. A informação consta no estudo “Classes de Renda no Rio”, elaborado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura do Rio de Janeiro, com base em dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo o diretor-geral do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), Pablo Lira, esse resultado reflete uma combinação de fatores históricos, econômicos e estruturais que posicionam a capital capixaba como referência nacional. “Vitória apresenta, há mais de uma década, uma concentração maior de população nas classes de renda superiores. Em 2014, publicamos um livro no âmbito da rede de pesquisa nacional do Observatório das Metrópoles, que analisava justamente essa estrutura social nas regiões metropolitanas. Vitória já se destacava”, explicou.
Desenvolvimento econômico impulsiona a capital capixaba
De acordo com Pablo Lira, o atual cenário de Vitória é resultado do ciclo de prosperidade vivido pelo Espírito Santo desde 2010. “O Espírito Santo vive, desde 2010, um ciclo de desenvolvimento econômico consistente, com taxas de crescimento acima da média nacional. Nesse sentido, somos o Estado com os melhores indicadores de educação e, atualmente, temos a quarta menor taxa de desocupação do Brasil: 4%, contra uma média nacional de 7%”, destacou.
Lira acrescenta que Vitória é uma cidade compacta e planejada, desde o projeto Arrabalde, no início do século XX. “Embora não seja o município mais populoso da Grande Vitória — Serra, Vila Velha e Cariacica têm mais habitantes — é onde se concentram bons serviços públicos, infraestrutura urbana qualificada e proximidade com o aeroporto. Isso atrai executivos e famílias de alto poder aquisitivo”, apontou o diretor-geral do IJSN.
Educação e capital humano: pilares do desenvolvimento
A formação de capital humano é um dos principais fatores que impulsionam o aumento da concentração de pessoas com alta renda per capita em Vitória. A avaliação é da professora da Fucape e ex-secretária da Fazenda de Vitória, Neyla Tardin, que destaca pelo menos três razões para esse fenômeno.
“A primeira delas passa pela formação de capital humano na cidade. Várias pesquisas mostram o impacto da melhoria nos níveis de educação na composição da mão de obra de uma região. Capital humano de qualidade exige remuneração compatível com suas habilidades”, afirmou.
Neyla lembra que, recentemente, o Centro de Liderança Pública (CLP) divulgou, em janeiro de 2025, um levantamento que destaca o aumento na taxa bruta de matrícula no ensino superior em Vitória, reforçando a tendência de qualificação profissional e, consequentemente, de elevação dos rendimentos.
Desigualdade social ainda preocupa
Apesar dos avanços e do destaque nacional, Vitória ainda enfrenta desafios relacionados à desigualdade social. O diretor-geral do IJSN, Pablo Lira, chama a atenção para os contrastes apontados na mesma pesquisa, que revela que 26,9% da população da capital estão inseridos nas classes D e E.
“O dado demonstra que, embora Vitória tenha um dos mais altos percentuais de população na Classe A, ainda há desigualdades importantes que precisam ser enfrentadas com políticas públicas que promovam a inclusão social e a redução das disparidades de renda”, ressaltou Lira.
Vitória: entre a prosperidade e o desafio da inclusão
Com indicadores que colocam a cidade no topo do ciclo de desenvolvimento, Vitória se destaca nacionalmente pela qualidade de vida, planejamento urbano e oferta de serviços. Ao mesmo tempo, o município carrega o desafio de ampliar as políticas de inclusão, visando reduzir os índices de desigualdade e garantir que o desenvolvimento econômico seja mais equitativo e sustentável





