“Trata-se de uma propriedade famosa pela excelente qualidade de seu vinho. Sua localização no território vinícola de Vosne é a mais adequada para a perfeita maturação das uvas; mais alta do lado oeste recebe os primeiros raios de sol em todas as estações do ano, sendo impregnada pelo calor mais intenso do dia (…). Não podemos negar que o vinho de La Romanée é o melhor de toda Côte-d’Or, e até mesmo de todas as vinícolas da República Francesa: quando as condições climáticas permitem, este vinho se distingue dos de outros excelentes terroirs; sua cor esplêndida e aveludada, sua energia e seu buquê encontram todos os sentidos humanos. Bem guardado, torna-se muito melhor quando se aproxima de 8 a 10 anos; transforma-se então em um bálsamo para os idosos, os frágeis e os deficientes, e devolve a vida aos moribundos.”
Este texto poderia ter sido escrito na semana passada, mas trata-se de um documento do período do terror da Revolução Francesa. Extraído da Veja.com.O texto fala da melhor região francesa produtora de vinhos, onde é produzido um mito, um ícone entre os vinhos. Sua história de mais de onze séculos se confunde com a da própria Borgonha. Mas, é em Vosne, onde fica localizada La Romanée, propriedade de 1,8 hectares onde é elaborado o vinho, Romanée-Conti, com 100% da uva, Pinot Noir. Sua produção, em média, apenas 5000 garrafas por safra. Objeto do desejo de apreciadores – enólogos e enófilos – de vinho do planeta.
Em 1131 o Duque da Borgonha cedeu suas terras, incluindo o vinhedo, ao mosteiro de Saint-Vivant, e desde então, La Romanée teve apenas nove proprietários. Já famoso, o vinhedo foi vendido para o príncipe de Conti – Louis-François de Bourbon em 1760 -. Desde 1911 que a família Villaine é a proprietária da vinícola e o responsável por manter a tradição desse vinho é Aubert de Villaune. Somente no período entre 1946 a 1952 que o vinho deixou de ser produzido por causa da Daktulosphaira Vitifoliae, nome científico para Filoxera, a praga das uvas que quase dizimou os vinhedos da Europa, a exceção de uma região francesa. Mas isto será assunto para uma outra coluna específica sobre o tema. Por causa dessa praga que o vinho Romanée-Conti de safras até 1945 vale uma pequena fortuna.

Este é o segundo artigo que escrevo sobre a uva Pinot Noir. O primeiro foi na coluna sob o título: Dia Mundial do vinho (18/02/2026).
Desta vez não indicarei nenhuma harmonização para este vinho, afinal, em se tratando de um Romanée-Conti, melhor degusta-lo sem nenhuma interferência gustativa, assim poderemos distiguir todos os seus aromas e sabores, que até “… devolve a vida aos moribundos”.
Até a próxima semana, mas se beber não dirija.






