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⁠Uvas & Vinhos

Tudo o que você sempre quis saber sobre cápsulas e ninguém nunca lhe disse

Crédito: Reprodução / Freepik

Nesta coluna vamos falar um pouco daquela parte superior que envolve o gargalo das garrafas de vinho, a cápsula.

Fabricada com diversos tipos de materiais, dentre eles:

  • Estanho. É o material mais nobre e caro, utilizado em vinhos de alta qualidade. É altamente maleável, permitindo um ajuste perfeito ao gargalo e personalizações luxuosas.
  • Alumínio. Oferece um visual refinado semelhante ao estanho, mas com custo mais acessível. É resistente à corrosão e totalmente reciclável.
  • Polilaminados. Compostos por camadas de alumínio e polietileno (plástico), criando um material híbrido. É muito utilizado em vinhos de média qualidade e espumantes por equilibrar boa aparência e custo-benefício.
  • PVC (Policloreto de Vinila). É a opção mais econômica e comum em vinhos de entrada. Essas cápsulas encolhem e se moldam ao gargalo quando expostas ao calor.
  • Cera ou Lacre. Frequentemente associada a vinhos artesanais ou edições especiais de alta qualidade. Além de conferir um visual rústico e tradicional, proporciona uma vedação robusta contra a entrada de ar.
  • PET e PLA: Materiais mais modernos e ecológicos que surgem como alternativas sustentáveis aos plásticos tradicionais.
  • Chumbo. De uso histórico, atualmente proibido por ser tóxico.

Esses materiais utilizados na fabricação das cápsulas têm várias funções: decoração; proteção e conservação para a rolha.

Crédito: Paulo Angelo / Acervo pessoal

Se você, apreciador de vinhos, retirar a cápsula inteira – nem sempre esta ação é possível – ou com um cortador de lacre, próprio para esta finalidade, observará, pelo menos um furinho no topo das cápsulas – em algumas este número pode chegar a quatro – talvez já teve a curiosidade de saber qual a importância da existência deles?

As principais finalidades são:

  • Escape de ar durante o engarrafamento, esta é a função principal. Quando a cápsula é colocada na garrafa por máquinas de alta velocidade, o ar precisa escapar. Os furos evitam a formação de uma “bolha” de ar entre a cápsula e a rolha, permitindo que a cápsula se ajuste perfeitamente e sem rugas ao gargalo.
  • Permitir a respiração do vinho. Embora a rolha seja o principal agente de vedação, uma quantidade mínima de oxigênio é benéfica para o envelhecimento de vinhos de guarda, longevos. Os furos facilitam uma micro-oxigenação controlada, permitindo que o vinho “respire” e desenvolva sabores complexos.
  • Equilíbrio de umidade. Os orifícios ajudam a manter um determinado nível de umidade no topo da rolha, evitando que ela resseque excessivamente em ambientes com baixa umidade, o que poderia comprometer a vedação.
  • Evitar mofo. Ao permitir a troca de ar, os furos reduzem o acúmulo de umidade estagnada entre a cápsula e a rolha, diminuindo o risco de mofo nessa área. (Wine Spectator).

Portanto, esses furos não indicam defeito, mas sim um processo de encapsulamento bem feito, focado na integridade da rolha e na evolução do vinho.

Então, de acordo com estas informações, podemos acrescentar um outro motivo. Talvez, algumas vezes o leitor tenha aberto uma garrafa de vinho e não ter consumido todo o vinho e se perguntado, o que fazer com o vinho que sobrou? Automaticamente, você usa a própria rolha sacada e a devolve para o gargalo da garrafa e a coloca na geladeira, acreditando que dessa forma estará protegendo o vinho para degusta-lo posteriormente.

Com esta ação, ao invés de conservar o vinho, na realidade estaremos diminuindo, consideralmente, a vida útil da bebida. Por quê? Quando se abre uma garrafa de vinho, o INS 220 (anidrido sulfuroso, SO2), injetado na garrafa de vinho durante o processo de engarrafamento como conservante do produto, exala completamente ao sacar a rolha da garrafa de vinho e em seu lugar entra o oxigênio. Aí o espaço entre o vinho e a rolha permitirá que o oxigênio acelere, o que os franceses chamam de bouchonée, avinagrar o vinho.

Se ao invés da rolha usarmos a cápsula, esses “desconhecidos” furinhos farão com que o oxigênio saia lentamente da garrafa, acrescentando um tempo maior de vida útil à bebida, possibilitando ao leitor degustar o que sobrou do vinho guardado na geladeira. Como explicado acima, tecnicamente, em: Permitir a respiração do vinho.

Caro leitor, o ideal é consumir todo o vinho ao abrir a garrafa. Caso isso não ocorra, uma boa maneira de acondicionar o vinho que sobrou é seguir as orientações acima mencionadas.

Até a próxima semana, mas se beber não dirija.

“A opinião deste colunista não reflete, necessariamente, a opinião da RedeTV! Espírito Santo.”

Publicitário; cursou Artes Plásticas na UFES; Enófilo, escreve sobre vinhos desde2010. Já escreveu sobre o tema em vários veículos de comunicação: revista SIM; jornais Em Pauta, O Ponto; Século Diário (jornal online); MovNews (jornal online). Assessor de Comunicação da PMV de 1994 a 2002; Assessor Técnico da Imprensa Oficial do ES de 2003 a 2019.

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