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Estética Mente Saudável

O maior veneno do cabelo não é a chapinha, é o que você sente.

O impacto silencioso do estresse no equilíbrio hormonal e na saúde dos fios.

Por muito tempo, a narrativa dominante apontou ferramentas térmicas como vilãs absolutas da saúde capilar. Chapinhas, secadores e modeladores foram colocados no banco dos réus, muitas vezes sem o devido contexto. Embora o uso excessivo, sem proteção térmica, de fato contribua para danos à fibra capilar, a ciência e a observação clínica vêm revelando um inimigo ainda mais silencioso e abrangente: o cortisol, o hormônio do estresse.

Produzido pelas glândulas suprarrenais, o cortisol desempenha um papel essencial no organismo, regulando funções como o metabolismo, a resposta inflamatória e a adaptação ao estresse. Em níveis equilibrados, ele é vital para a sobrevivência. No entanto, quando sua liberação se torna cronicamente elevada, em razão de estresse persistente, instala-se um efeito cascata capaz de comprometer diversos sistemas do corpo, incluindo o ciclo capilar.

O cabelo possui um ciclo fisiológico bem definido, dividido em fases de crescimento, transição e queda. O excesso de cortisol interfere diretamente nesse equilíbrio, podendo antecipar a fase de queda, fenômeno conhecido como eflúvio telógeno. Em termos simples, mais fios entram precocemente na fase de desprendimento, resultando em uma queda capilar difusa, que muitas vezes assusta e impacta a autoestima.

Mas os efeitos do cortisol não se limitam a essa ação direta. Ele também influencia outros eixos hormonais, como o da tireoide. Os hormônios tireoidianos, especialmente T3 e T4, são responsáveis por regular o metabolismo celular, incluindo o funcionamento dos folículos pilosos. Alterações nesses hormônios podem levar tanto ao hipotireoidismo quanto ao hipertireoidismo, condições frequentemente associadas à queda de cabelo, fios mais finos e alterações na textura capilar.

Além disso, o estresse crônico pode afetar a produção de outros hormônios, como os andrógenos, que também desempenham papel relevante na saúde dos cabelos, especialmente nos quadros de alopecia androgenética. Esse complexo entrelaçamento hormonal reforça a ideia de que o cabelo é, muitas vezes, um reflexo direto do estado interno do organismo.

Estudos científicos corroboram essa relação. Uma pesquisa publicada no periódico Nature Reviews Endocrinology aponta que o estresse psicológico crônico pode alterar significativamente a fisiologia do folículo piloso, promovendo queda e dificultando a regeneração capilar. Trata-se, portanto, de um fenômeno multifatorial, que exige um olhar clínico atento e uma abordagem individualizada.

É fundamental compreender que a queda de cabelo não escolhe idade. Jovens, adultos e até adolescentes podem ser impactados, especialmente em um cenário contemporâneo marcado por altos níveis de estresse emocional e mental. No entanto, cada organismo responde de maneira única, e nem toda queda possui a mesma origem.

Por isso, o primeiro passo, diante de qualquer alteração capilar, é buscar um profissional capacitado, capaz de realizar uma avaliação criteriosa e direcionar um tratamento personalizado. Não existe solução universal. O que funciona para uma pessoa pode ser completamente inadequado para outra.

Se você tem dúvidas sobre saúde da pele e do cabelo, envie sua pergunta. Sua participação é fundamental para que possamos produzir conteúdos cada vez mais relevantes, não apenas para a população capixaba, mas para leitores em todo o mundo.

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“A opinião deste colunista não reflete, necessariamente, a opinião da RedeTV! Espírito Santo.”

Estética Mente Saudável é um espaço onde ciência, beleza e bem-estar se encontram para orientar, inspirar e transformar. Nesta coluna, a estética é tratada como parte da saúde integral — uma ponte entre autocuidado, equilíbrio e qualidade de vida, sempre com informação confiável e responsabilidade profissional.

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