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⁠Uvas & Vinhos

Nutrição, vinho e o brinde à saúde

foto: Uva Tannat

31 de agosto é o Dia do Nutricionista, profissional que tem entre suas mais nobres missões ensinar que alimentação não é apenas uma questão de saciar a fome, mas uma forma de cuidar do corpo, prevenir doenças e, sobretudo, compreender que saúde também se constrói à mesa.

E se existe um lugar onde a gastronomia, a cultura e a saúde frequentemente se encontram, esse lugar é justamente a mesa. É ali que o vinho também ocupa seu espaço — não como medicamento, mas como parte de uma tradição milenar que, quando consumido com moderação e dentro de um estilo de vida saudável, desperta o interesse da ciência por alguns de seus componentes naturais.

Entre eles está o resveratrol, um polifenol de ação antioxidante produzido pela videira como mecanismo de defesa. Ele está presente principalmente na casca das uvas tintas e, por isso, encontra-se em maior quantidade nos vinhos tintos, nos quais o processo de vinificação mantém o contato do mosto com as cascas durante a fermentação.

O resveratrol ganhou notoriedade a partir dos estudos sobre os chamados polifenóis do vinho e sua possível relação com mecanismos associados à proteção cardiovascular, ao combate ao estresse oxidativo e aos processos inflamatórios. Mas há uma importante diferença entre reconhecer o potencial biológico de uma substância e afirmar que beber vinho faz bem à saúde. A ciência contemporânea é muito mais cuidadosa nessa distinção.

Não se deve começar a beber vinho por razões de saúde. O álcool, independentemente da bebida em que esteja presente, também está associado a riscos à saúde, e esses riscos aumentam conforme a quantidade consumida. Portanto, o vinho não deve ser tratado como suplemento alimentar ou medicamento.

Mas voltemos às uvas — porque é nelas que começa essa história.

Entre as variedades tintas conhecidas por sua expressiva concentração de compostos fenólicos está a Tannat, uva de origem francesa que encontrou no Uruguai uma de suas mais importantes pátrias adotivas. De casca espessa, taninos marcantes e grande estrutura, a Tannat produz vinhos intensos, profundos e longevos.

Sua riqueza em polifenóis, especialmente taninos e outros compostos fenólicos, fez com que a variedade se tornasse objeto de interesse quando o assunto é a relação entre vinho e antioxidantes. O resveratrol está entre esses compostos, embora sua concentração possa variar bastante conforme a variedade, o clima, o solo, o manejo do vinhedo, o grau de maturação das uvas e, principalmente, as técnicas de vinificação.

É justamente aí que o vinho nos ensina uma lição que também pertence ao universo da nutrição: não existe alimento isoladamente capaz de explicar uma vida saudável.

O segredo está no conjunto.

Uma alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras, legumes, grãos, fibras e boas fontes de proteínas e gorduras, associada à atividade física, ao sono adequado e a hábitos saudáveis, é muito mais importante do que procurar em uma taça de vinho uma substância capaz de compensar excessos.

Talvez seja essa a melhor maneira de celebrar o Dia do Nutricionista: compreender que o prazer à mesa pode caminhar ao lado da consciência. E que o vinho, quando presente, deve ser apreciado pelo que ele representa — cultura, história, território, gastronomia, convivência e prazer — e não como uma prescrição de saúde.

A própria natureza parece ter escrito uma pequena metáfora nas uvas. A mesma casca que protege o fruto contra as agressões do ambiente guarda uma extraordinária diversidade de compostos fenólicos. Entre eles, o resveratrol tornou-se uma das moléculas mais famosas do universo do vinho.

E há algo de fascinante nisso: antes de chegar à taça, o vinho começa no vinhedo.

Começa no solo, na luminosidade, na chuva, na temperatura, nas mãos do viticultor e na genética de cada variedade. Na Tannat, essa identidade se manifesta em uma uva de personalidade poderosa, marcada por taninos abundantes e elevada carga fenólica, capaz de produzir vinhos que pedem tempo, comida e contemplação.

Por isso, neste 31 de agosto, o brinde é para aqueles que nos ajudam a compreender que comer e beber também são atos de responsabilidade.

Aos nutricionistas, profissionais que transformam conhecimento científico em escolhas mais conscientes, um brinde.

E ao vinho, fica o nosso respeito: que continue sendo celebrado não como uma promessa de saúde, mas como uma das mais antigas expressões da relação do homem com a terra.

Porque, no final das contas, a melhor taça é aquela que vem acompanhada de equilíbrio — no vinho, na mesa e na vida.

Até a próxima semana. Beba com moderação.
Saúde!

“A opinião deste colunista não reflete, necessariamente, a opinião da RedeTV! Espírito Santo.”

Publicitário; cursou Artes Plásticas na UFES; Enófilo, escreve sobre vinhos desde2010. Já escreveu sobre o tema em vários veículos de comunicação: revista SIM; jornais Em Pauta, O Ponto; Século Diário (jornal online); MovNews (jornal online). Assessor de Comunicação da PMV de 1994 a 2002; Assessor Técnico da Imprensa Oficial do ES de 2003 a 2019.

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