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Pesquisa Veritá coloca Jacarepaguá no Espírito Santo, Mata da Praia em Colatina e Itapoã em Vitória

A nova pesquisa do Instituto Veritá para o Governo do Espírito Santo, divulgada neste sábado (19), coloca Lorenzo Pazolini (Republicanos) na liderança da disputa pelo Palácio Anchieta. O resultado, porém, vem acompanhado de inconsistências no detalhamento territorial da própria pesquisa.

No material do levantamento, Jacarepaguá aparece relacionada a Linhares, Guriri Sul a Nova Venécia, Mata da Praia a Colatina, Pedra Menina a Cachoeiro de Itapemirim e Itapoã a Vitória.

O problema atinge uma informação relevante para qualquer pesquisa eleitoral: a distribuição geográfica da amostra. Se localidades aparecem vinculadas a municípios diferentes daqueles onde estão situadas, é necessário esclarecer se houve apenas erro no preenchimento dos documentos ou se as divergências alcançaram o cadastro utilizado na seleção e distribuição dos entrevistados.

Isoladamente, essas inconsistências não provam que o resultado esteja errado. O que amplia o questionamento é o histórico recente do próprio Veritá.

Outra pesquisa do instituto realizada neste ano no Espírito Santo, registrada sob o número ES-08469/2026, também foi contestada perante o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES).

A Procuradoria Regional Eleitoral apontou divergências entre a amostra planejada e aquela efetivamente executada, especialmente em critérios relacionados à renda, escolaridade e distribuição territorial, e pediu que a representação fosse julgada procedente. A manifestação da Procuradoria não equivale a uma decisão definitiva do TRE-ES.

O ponto chama atenção porque a distribuição territorial, já questionada no levantamento anterior, volta a aparecer entre as dúvidas provocadas pela nova pesquisa.

Em Santa Catarina, municípios do Maranhão apareceram no levantamento

O problema também encontra precedente fora do Espírito Santo. Em Santa Catarina, uma pesquisa do Veritá apresentou no relatório destinado ao eleitorado catarinense municípios do Maranhão, entre eles São Luís, Imperatriz e Barra do Corda.

A Justiça Eleitoral suspendeu liminarmente a divulgação do levantamento. O instituto afirmou que houve erro na elaboração do relatório e sustentou que nenhuma pessoa do Maranhão havia sido entrevistada na pesquisa catarinense.

Em Rondônia, outro levantamento do Veritá também teve sua divulgação suspensa liminarmente enquanto o instituto deveria esclarecer divergências relacionadas, entre outros pontos, ao período da coleta, municípios, bairros e setores abrangidos, quantidade de entrevistas por localidade e relatório de campo.

Dados geográficos inconsistentes comprometem pesquisas

Em uma pesquisa eleitoral, erros na distribuição geográfica da amostra não são detalhes. Eles podem comprometer a representatividade dos dados e, consequentemente, a leitura do cenário eleitoral.

Se houver manipulação, distorção ou falhas metodológicas capazes de alterar essa representação, a gravidade é ainda maior, porque pesquisas não apenas medem a opinião pública, elas também podem influenciar a percepção do eleitor sobre a disputa. Por isso, quando surgem inconsistências dessa natureza, transparência e esclarecimentos deixam de ser opcionais e passam a ser indispensáveis.

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