Compartilhe

Estética Mente Saudável

Outubro Rosa: quando cuidar da mulher é olhar para ela por inteiro

Entre hormônios, gestação, amamentação, pele, cabelos, saúde bucal e autoestima, existe uma mulher que continua precisando ser cuidada em todas as fases da vida.

Outubro chega vestido de rosa, mas o convite que este mês nos faz vai muito além de uma cor.

O Outubro Rosa nasceu como um movimento de conscientização sobre o câncer de mama e se tornou, ao longo dos anos, uma oportunidade para ampliar a conversa sobre prevenção e sobre a importância de olhar para a saúde da mulher de forma integral.

Porque uma mulher não é apenas uma mama que precisa ser examinada.

Ela é pele. É cabelo. É sorriso. É corpo. É autoestima. É maternidade. É emoção. É identidade.

E, principalmente, é uma mulher que atravessa diferentes fases da vida e precisa encontrar informação, cuidado e acolhimento em todas elas.

É sobre esse olhar que conversamos nesta edição da Estética Mente Saudável.

A beleza que muda quando os hormônios mudam

A gestação talvez seja uma das maiores experiências de transformação do corpo feminino.

Durante esse período, os hormônios provocam mudanças profundas e algumas delas podem ser percebidas justamente naquilo que mais chama a atenção diante do espelho.

A pele pode ganhar luminosidade e um aspecto mais viçoso. Os cabelos podem ficar mais encorpados, brilhantes e volumosos. Para algumas mulheres, é uma fase em que a beleza parece florescer naturalmente.

Mas o mesmo organismo que proporciona essas transformações também pode apresentar melasma, aumento da oleosidade, acne, sensibilidade e outras alterações.

Segundo a Dra. Elisângela Moura, especialista em Estética Avançada e Dermatologia e referência em Tricologia, essas mudanças fazem parte de uma resposta individual do organismo às alterações hormonais.

“É muito interessante observar como os hormônios podem transformar a aparência feminina durante a gestação. Algumas mulheres percebem uma pele mais luminosa e cabelos mais densos e bonitos. Esse período pode, sim, trazer uma percepção de melhora estética natural. Mas é fundamental compreender que cada organismo responde de uma maneira.”

A especialista ressalta que não existe um padrão único de beleza durante a gravidez.

“O que precisamos é compreender o comportamento daquele organismo e respeitar o momento vivido por aquela mulher. A estética responsável não tenta lutar contra as alterações hormonais. Ela acompanha, orienta e sabe quando intervir e, principalmente, quando esperar.”

Essa é uma diferença fundamental.

Estética não deveria significar lutar contra o corpo.

Deveria significar compreender o corpo.

Quando o cabelo muda de novo

Se durante a gestação muitas mulheres percebem os cabelos mais cheios, fortes e bonitos, depois do parto a história pode mudar.

A redução dos níveis hormonais pode fazer com que uma quantidade maior de fios entre na fase de queda ao mesmo tempo. É o conhecido eflúvio telógeno após o parto.

E existe um aspecto emocional importante nessa transformação. A mulher que acabou de dar à luz já está atravessando uma mudança gigantesca. Quando percebe os fios caindo em maior quantidade, é comum que a preocupação seja ainda maior.

Para a Dra. Elisângela Moura, informação é uma das principais ferramentas para atravessar esse período com mais tranquilidade.

“A queda capilar depois da gestação costuma assustar muito. A mulher olha para o cabelo e sente que perdeu aquilo que havia conquistado durante a gravidez. Mas precisamos entender o ciclo do fio. Em muitos casos, estamos diante de uma resposta fisiológica à mudança hormonal, e não de uma perda definitiva.”

Na maioria das situações, essa queda é transitória. Isso, porém, não significa que toda queda de cabelo deva ser simplesmente aceita como normal.

“Quando a queda é muito intensa, prolongada ou vem acompanhada de afinamento, falhas, alterações no couro cabeludo ou outros sintomas, é importante investigar. A Tricologia nos permite olhar além do fio que cai. Precisamos compreender o couro cabeludo, o ciclo capilar, os aspectos nutricionais, hormonais e outros fatores que podem interferir na saúde dos cabelos.”

É nesse ponto que o cuidado capilar deixa de ser apenas uma questão estética.

É saúde.

É autoestima.

É identidade.

É também a possibilidade de uma mulher voltar a se reconhecer no espelho depois de tantas transformações.

E a boca também conta essa história

Existe uma parte da gestação que muitas vezes fica esquecida quando falamos sobre transformação feminina: a saúde bucal.

Durante a gravidez, o aumento dos hormônios estrogênio e progesterona pode deixar a gengiva mais sensível e favorecer processos inflamatórios. Sangramento, vermelhidão e inchaço podem aparecer, especialmente quando já existe alguma predisposição ou dificuldade na higiene bucal.

Para abordar esse aspecto específico da gestação, a coluna traz a contribuição da Dra. Nathaly Fernandes de Oliveira, cirurgiã dentista e especialista em Ortodontia.

“A gestação promove alterações hormonais importantes que podem interferir diretamente na saúde da gengiva. Sangramento, inchaço, dor ou qualquer alteração persistente não devem ser simplesmente ignorados ou considerados uma consequência normal da gravidez.”

O antigo mito de que gestante não deve ir ao dentista também precisa ser deixado para trás.

O acompanhamento odontológico pode fazer parte do cuidado pré natal. Tratamentos necessários podem ser realizados durante a gestação, sempre com avaliação individualizada e considerando a fase da gravidez e as condições clínicas da paciente.

Segundo a Dra. Nathaly, o mais importante é que a gestante informe ao dentista sobre a gravidez, os medicamentos utilizados e qualquer alteração que esteja percebendo.

A relação entre doença periodontal e alguns desfechos adversos da gestação, como parto prematuro e baixo peso ao nascer, também é estudada pela ciência. Essa associação não significa que uma doença periodontal necessariamente causará uma complicação, já que a gestação envolve inúmeros fatores. Ainda assim, reforça a importância de não negligenciar a saúde da boca.

Afinal, saúde bucal também é saúde.

Depois do parto, a mulher continua ali

Existe uma cobrança silenciosa que muitas mulheres conhecem bem: depois que o bebê nasce, parece que tudo precisa voltar ao normal rapidamente.

Mas qual normal?

O corpo passou por uma gestação. A mulher passou por um parto. Começou a amamentar, quando essa foi sua escolha e possibilidade. A rotina mudou. O sono mudou. A alimentação pode mudar. Os hormônios mudam novamente.

E o espelho também pode mudar.

Nesse período, cuidar da pele, dos cabelos, da saúde bucal e da autoestima não deveria ser interpretado como futilidade.

Para a Dra. Elisângela Moura, existe uma diferença importante entre perseguir um padrão estético e cuidar da própria imagem.

“Quando uma mulher procura ajuda porque não está se reconhecendo depois da gestação, isso também merece ser acolhido. Não precisamos transformar autoestima em vaidade superficial. A autoestima também faz parte da saúde.”

Não existe contradição entre ser mãe e continuar cuidando de si.

Uma mulher pode amar profundamente seu filho e, ao mesmo tempo, querer olhar para o espelho e se reconhecer.

Pode querer tratar uma alteração capilar.

Pode querer cuidar da pele.

Pode querer recuperar a saúde bucal.

Pode simplesmente querer voltar a reservar alguns minutos do dia para si.

Tudo isso também é cuidado.

Estética com responsabilidade

Existe, entretanto, uma diferença importante entre cuidar e simplesmente fazer.

Durante a gestação e a amamentação, produtos, medicamentos e procedimentos precisam ser avaliados com responsabilidade. O fato de determinado tratamento ser popular ou apresentar bons resultados em outras pessoas não significa que seja automaticamente adequado para uma gestante ou para uma mulher que esteja amamentando.

A Dra. Elisângela Moura, especialista em Estética Avançada e Dermatologia e referência em Tricologia, reforça que conhecimento também significa reconhecer limites.

“O profissional precisa ter maturidade para dizer não quando aquele não é o momento. Na estética avançada, conhecimento não está apenas na capacidade de realizar um procedimento. Está também na capacidade de reconhecer contraindicações, respeitar cada fase e entender quando o organismo precisa de tempo.”

O papel de quem trabalha com estética, dermatologia e tricologia não é simplesmente oferecer um procedimento.

É saber quando indicar.

É saber quando esperar.

É reconhecer limites.

É entender que, em determinadas fases da vida, o melhor tratamento pode ser justamente preservar, acompanhar e observar.

Essa é a diferença entre uma estética baseada apenas em tendência e uma estética baseada em conhecimento.

Um cuidado que começa antes e continua depois

O cuidado com a mulher não deveria começar quando aparece uma queixa.

Idealmente, ele começa antes.

No planejamento de uma gestação, durante o pré natal, no parto, na amamentação e nos meses que seguem o nascimento do bebê.

Cada etapa apresenta necessidades diferentes.

A pele pode mudar.

O cabelo pode mudar.

A boca pode mudar.

O corpo muda.

E a mulher também muda.

Por isso, o acompanhamento precisa acompanhar essas mudanças.

“Meu trabalho é acompanhar essas transições com um olhar que não separa estética de saúde. Quando cuidamos da pele, dos cabelos e da autoestima, estamos cuidando também da maneira como essa mulher se percebe e se sente. Mas esse cuidado precisa ser individualizado, responsável e baseado em conhecimento”, afirma Dra. Elisângela Moura.

Em determinados momentos, o dermatologista pode ser essencial. Em outros, o tricologista, o dentista, o obstetra, o nutricionista ou outro profissional de saúde pode assumir um papel importante.

Não se trata de transformar a mulher em uma paciente permanente.

Trata-se de construir uma rede de cuidado capaz de reconhecer quando ela precisa de atenção.

Outubro Rosa também é sobre autoestima

O Outubro Rosa nos lembra da importância da prevenção e do cuidado com a saúde das mamas. Mas talvez possamos ampliar essa conversa.

Que tal aproveitar este mês para lembrar que prevenção também significa conhecer o próprio corpo?

Perceber mudanças.

Fazer os acompanhamentos recomendados.

Conversar com profissionais de saúde.

Não adiar uma consulta por falta de tempo.

Não normalizar aquilo que incomoda ou persiste.

E, principalmente, não abandonar a própria imagem depois que a vida muda.

A mulher que engravida não deixa de ser mulher.

A mulher que se torna mãe não deixa de ter vaidade.

A mulher que amamenta não deixa de ter autoestima.

A mulher que envelhece não deixa de merecer cuidado.

“Cuidar da aparência não precisa ser uma busca pela perfeição. Pode ser uma forma de voltar a se olhar, de recuperar a autoestima e de reconhecer a própria identidade depois de tantas transformações. É sobre se sentir bem na própria pele, respeitando cada fase da vida”, finaliza Dra. Elisângela Moura.

Talvez essa seja a mensagem mais bonita que podemos levar deste Outubro Rosa: cuidar da mulher é olhar para ela por inteiro.

Não existe saúde de um lado e beleza do outro.

Quando existe conhecimento, responsabilidade e acompanhamento profissional, uma pode caminhar ao lado da outra.

Porque a verdadeira estética mente saudável começa quando deixamos de olhar apenas para aquilo que aparece no espelho e passamos a cuidar da mulher que existe por trás dele.

Dra. Elisângela Moura
Especialista em Estética Avançada e Dermatologia | Referência em Tricologia

Dra. Nathaly Fernandes de Oliveira
Cirurgiã dentista | Especialista em Ortodontia

“A opinião deste colunista não reflete, necessariamente, a opinião da RedeTV! Espírito Santo.”

Estética Mente Saudável é um espaço onde ciência, beleza e bem-estar se encontram para orientar, inspirar e transformar. Nesta coluna, a estética é tratada como parte da saúde integral — uma ponte entre autocuidado, equilíbrio e qualidade de vida, sempre com informação confiável e responsabilidade profissional.

Colunas Recentes​