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Estética Mente Saudável

O que o Brasil tem a ensinar ao mundo sobre estética? A comparação com os Estados Unidos revela diferenças importantes

Por Dra. Elisângela Moura Cozzer
Colunista | ART Instituto Cozzer | Especialista em Estética Avançada e Dermatológica, com atuação de referência em Tricologia

A estética contemporânea exige muito mais do que o domínio de técnicas e tecnologias. O cuidado com a pele e os cabelos envolve conhecimento científico, avaliação individualizada, compreensão das características de cada paciente e escolhas compatíveis com suas necessidades.

Na minha trajetória à frente do ART Instituto Cozzer, com atuação em estética avançada e dermatológica, tricologia e atendimento a pacientes internacionais, pude ampliar minha visão sobre as diferentes abordagens que influenciam o setor. Essa experiência reforçou a importância de compreender como cada mercado organiza suas práticas, seleciona seus recursos e define suas prioridades de cuidado.

O Brasil se destaca pela diversidade de tons de pele, características capilares e necessidades individuais de sua população. Essa realidade exige um repertório amplo de avaliação e atenção às particularidades de cada pessoa. Nos Estados Unidos, também existem mercados diversos, com diferentes níveis de especialização, recursos tecnológicos e modelos de atendimento, conforme a região e a qualificação dos profissionais.

Mais do que estabelecer uma comparação entre países, considero importante identificar as contribuições de cada mercado e compreender como essas experiências podem aprimorar a qualidade dos cuidados estéticos.

Pele: avaliação individualizada e escolha dos procedimentos

No Brasil, a diversidade de fototipos e as condições climáticas de diferentes regiões tornam a avaliação da pele especialmente relevante. A exposição à radiação ultravioleta, as características individuais, o histórico de cuidados e a presença de alterações cutâneas influenciam a escolha dos produtos e procedimentos.

A fotoproteção, a preservação da barreira cutânea e a seleção criteriosa de ativos são elementos fundamentais de uma rotina de cuidados consistente. Na estética avançada, a indicação de peelings, tecnologias e outros recursos exige avaliação adequada, conhecimento dos limites de cada procedimento e atenção aos riscos.

Nos Estados Unidos, a oferta de tratamentos também varia conforme a região, a formação do profissional e as normas locais. Em determinados estabelecimentos, os recursos tecnológicos e os protocolos de cuidados domiciliares ocupam posição de destaque. Essa característica, entretanto, não representa todo o mercado americano, que reúne desde serviços básicos de beleza até clínicas altamente especializadas.

O principal diferencial não está no país de origem de uma técnica, mas na qualidade da avaliação, na indicação correta e na segurança de sua aplicação.

A experiência de Camila Soneguetti no mercado americano

Para acrescentar uma perspectiva prática a essa análise, convido Camila Soneguetti, profissional da área de estética com experiência nos Estados Unidos, a compartilhar suas observações sobre os modelos de atendimento e os recursos que conheceu durante sua atuação no Arizona e no Texas.

Em sua experiência no Arizona, Camila identificou maior destaque para a maquiagem na formação que conheceu, enquanto disciplinas como anatomia humana e peeling ocupavam um espaço diferente daquele observado em sua experiência brasileira.

Ela também percebeu que alguns produtos utilizados nos atendimentos eram semelhantes aos disponíveis no varejo. Essa observação despertou seu interesse pela seleção dos recursos profissionais e pelo valor do conhecimento técnico na escolha de cosméticos.

No Texas, sua experiência revelou outra configuração. Camila observou maior presença de aparelhos estéticos, cuidados domiciliares, conhecidos como home care, e abordagens relacionadas à suplementação, em comparação com o mercado que conhecera no Arizona.

Essas observações refletem sua vivência profissional e não representam, necessariamente, todos os estabelecimentos ou modelos de formação dos dois estados. Ainda assim, contribuem para compreender como as prioridades de atendimento podem variar conforme o mercado.

Outro aspecto relevante diz respeito à regulamentação. Nos Estados Unidos, as exigências para o exercício profissional variam conforme o estado, incluindo qualificações, licenças e procedimentos autorizados. Por isso, a formação técnica deve caminhar ao lado do conhecimento das normas locais.

A experiência de Camila ilustra a importância de analisar os recursos disponíveis em cada mercado sem perder de vista a avaliação individual, a segurança e a qualificação profissional.

Cabelo e couro cabeludo: a importância da tricologia

O cuidado capilar representa outra dimensão essencial dessa comparação. As características dos fios, os hábitos de higiene, os procedimentos químicos, as condições ambientais e as alterações do couro cabeludo influenciam as necessidades de cada pessoa.

No Brasil, a diversidade de texturas capilares e de práticas de cuidado exige conhecimento específico sobre a fibra capilar e o couro cabeludo. A escolha de cosméticos, a orientação de rotinas domiciliares e a identificação de alterações que exigem investigação devem considerar as particularidades de cada caso.

Na tricologia, a queda capilar e outras alterações podem ter causas distintas. Por isso, a avaliação criteriosa é fundamental para reconhecer sinais relevantes e identificar quando há necessidade de investigação médica.

A experiência internacional pode ampliar o repertório dos profissionais, seja pelo contato com tecnologias, métodos de avaliação ou diferentes propostas de cuidado. No entanto, nenhum aparelho, cosmético ou protocolo substitui a investigação adequada das causas de uma alteração capilar.

Na minha visão, a qualidade da atuação em tricologia depende da combinação entre conhecimento, avaliação individual e respeito aos limites profissionais. A personalização do cuidado deve prevalecer sobre a aplicação indiscriminada de tendências.

Tecnologia, cosméticos e cuidados domiciliares

O desenvolvimento tecnológico ampliou as possibilidades de tratamento estético em diferentes países. Equipamentos, cosméticos e protocolos domiciliares podem contribuir para os cuidados com a pele e os cabelos, desde que tenham indicação adequada e aplicação compatível com suas finalidades.

Em determinados mercados americanos, a tecnologia e o home care recebem destaque na organização dos serviços. No Brasil, essas abordagens também integram a prática de muitos profissionais, em conjunto com diferentes recursos de avaliação e procedimentos.

A diferença, portanto, não deve ser tratada como uma oposição absoluta entre dois países. Os mercados são heterogêneos, e as práticas variam conforme a região, a qualificação profissional, o perfil do estabelecimento e as necessidades do público.

O ponto central está na maneira como cada recurso é selecionado e incorporado ao atendimento.

Um equipamento precisa de indicação coerente. Um cosmético deve ser compatível com as características da pele ou dos cabelos. A suplementação exige atenção às necessidades individuais, às possíveis contraindicações e à avaliação por profissionais habilitados, conforme o caso.

A inovação tem valor quando oferece benefícios consistentes e respeita os critérios de segurança. A adoção de uma tendência, por si só, não garante melhores resultados.

O diferencial brasileiro no cenário internacional

Considero que o Brasil possui um repertório relevante para o desenvolvimento da estética internacional, sobretudo pela diversidade de sua população e pela experiência dos profissionais diante de diferentes características cutâneas e capilares.

Essa realidade favorece o desenvolvimento de uma visão abrangente sobre a individualização dos cuidados. Entretanto, o reconhecimento internacional exige mais do que experiência prática. Requer formação consistente, atualização científica, responsabilidade e capacidade de avaliar criticamente novas tecnologias e procedimentos.

Minha atuação com pacientes de diferentes países reforça a importância de compreender as expectativas individuais sem recorrer a protocolos padronizados para necessidades distintas.

No ART Instituto Cozzer, essa perspectiva se relaciona a uma visão de cuidado que valoriza a avaliação criteriosa, a escolha adequada dos recursos e o respeito às características de cada pessoa.

Ao mesmo tempo, o contato com outros mercados amplia as possibilidades de aprendizado. Conhecer diferentes tecnologias, modelos de atendimento e abordagens profissionais permite identificar contribuições que podem fazer sentido para a realidade brasileira, desde que respeitem as evidências científicas e as normas aplicáveis.

A troca internacional é mais produtiva quando existe abertura para aprender e discernimento para selecionar o que realmente acrescenta qualidade à prática.

Existe uma estética melhor que a outra?

A comparação entre Brasil e Estados Unidos não deve partir da ideia de que um país oferece uma abordagem superior em todos os aspectos. Cada mercado possui características próprias, diferentes estruturas de formação e variadas possibilidades de atendimento.

Existem práticas eficazes e seguras em ambos os países, assim como abordagens que exigem cautela ou apresentam evidências limitadas. A qualidade deve ser avaliada a partir de critérios técnicos, científicos e regulatórios, e não apenas pela origem de um método ou pela popularidade de uma tendência.

Na estética dermatológica, a avaliação da pele e a indicação adequada dos procedimentos são fundamentais. Na tricologia, a compreensão das características capilares e das possíveis causas das alterações orienta escolhas mais responsáveis. Em ambos os campos, a tecnologia deve servir às necessidades do paciente, e não determinar sozinha a conduta profissional.

A experiência brasileira e o conhecimento adquirido em outros mercados podem se complementar. O objetivo é ampliar o repertório, aperfeiçoar as práticas e oferecer cuidados cada vez mais individualizados.

O futuro da estética está na integração do conhecimento

A estética avançada, o cuidado dermatológico e a tricologia exigem uma visão que integre ciência, experiência profissional e compreensão das necessidades individuais.

A contribuição de Camila Soneguetti, a partir de sua vivência no Arizona e no Texas, acrescenta uma perspectiva prática sobre as diferenças entre os mercados. Minha trajetória no ART Instituto Cozzer e o contato com pacientes internacionais ampliam essa reflexão para a importância da avaliação individualizada, da qualidade técnica e da responsabilidade profissional.

O Brasil tem muito a contribuir, assim como tem muito a aprender com outras realidades. A evolução do setor depende da capacidade de reconhecer essas contribuições sem generalizações e de transformar o conhecimento em práticas coerentes, seguras e fundamentadas.

A verdadeira excelência estética não está na quantidade de tecnologias disponíveis nem na origem de uma técnica. Está na capacidade de compreender a pele, respeitar a saúde capilar e selecionar, com conhecimento e responsabilidade, o cuidado mais adequado para cada pessoa.

Essa é a perspectiva que defendo à frente do ART Instituto Cozzer: uma estética brasileira com identidade própria, aberta ao conhecimento internacional e comprometida com a qualidade, a ciência e a individualidade.

“A opinião deste colunista não reflete, necessariamente, a opinião da RedeTV! Espírito Santo.”

Estética Mente Saudável é um espaço onde ciência, beleza e bem-estar se encontram para orientar, inspirar e transformar. Nesta coluna, a estética é tratada como parte da saúde integral — uma ponte entre autocuidado, equilíbrio e qualidade de vida, sempre com informação confiável e responsabilidade profissional.

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